Lisandro Alonso: o novo filme, a Marvel e a inclusão

Lisandro Alonso, foi homenageado este fim de semana em Madrid no Festival Márgenes, dedicado ao cinema independente.

(Fotos: Divulgação)

Numa entrevista ao El País, o cineasta falou do seu novo projeto, Eureka, comentou o caso de Martin Scorsese Vs Marvel, e ainda falou das mudanças que o seu cinema vai operar no futuro no que toca à maior presença de personagens femininas. Vamos por partes…

Sobre Scorsese e as suas celebres palavras [que os filmes da Marvel eram “parques de diversões” e não Cinema], Alonso concorda, mas diz entender perfeitamente que um jovem de 18 anos ache que Cinema seja sinónimo desses filmes. E no meio da sua afirmação, Alonso deixou entender que não é grande fã do cineasta norte-americano, embora não tenha usado um adjetivo para o descrever, e tenha preferido o silêncio: “Um miúdo dessa idade pode não dar à palavra Cinema a entidade que nós fazemos dele. De qualquer forma, vejam como o mundo está, em que concordo com Scorsese. Porque gosto do cinema de Oliver Laxe, Albert Serra, Apichatpong Weerasethakul, mas os [filmes de] Scorsese parecem-me um pouco … [fez-se silêncio]”.

Um novo projeto que passa por Portugal

Já falamos aqui do novo filme de Lisandro Alonso, Eureka, a sua primeira longa-metragem desde 2014. Uma coprodução portuguesa (Rosa Filmes), a obra vai ter a sua ação entre 1800 e 2020, terá três histórias entrelaçadas e começa como um Western e acaba com os índios na selva. “É a primeira vez que vou filmar um filme inteiramente fora do meu país, e nele fala-se em inglês, português … até Guarani, depende da selva onde trabalhamos, porque é no meio dos índios. Certamente filmaremos numa reserva indígena no Dakota do sul, em Portugal, na selva entre o México e Chiapas,  e também em Espanha“, diz Alonso ao jornal espanhol.

Sobre o elenco, o argentino diz que vai ser um misto de nomes conhecidos e desconhecidos, e que depois de muitas obras focadas em personagens masculinas, este seu novo projeto será mais inclusivo: “Os meus filmes estavam cheios de personagens masculinos, talvez porque abordava o que conhecia melhor. Agora estou a trabalhar e a incluir mais papéis femininos”.

Para essa decisão, Alonso aponta a influência da sua companheira, a argumentista e realizadora Constanza Novick. “O mundo mudou. Como artista, deves prestar atenção ao teu redor“, concluiu.

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