“Tens de trabalhar com este miúdo, ele é mesmo bom”: as palavras de De Niro a Scorsese sobre DiCaprio

(Fotos: Divulgação)

Martin Scorsese recebeu o Prémio Kirk Douglas pela sua carreira no Festival Internacional de Santa Bárbara

Martin Scorsese, cujo O Irlandês (ler crítica) chega à Netflix no final do mês de novembro, afirmou ontem no Festival Internacional de Santa Bárbara (Califórnia, EUA) que Robert De Niro telefonou-lhe um dia para falar de um “miúdo” chamado Leonardo DiCaprio, com quem tinha trabalhado em A Vida Deste Rapaz (1993).

Ele telefonou-me – e nunca faz isso –  e disse: ‘Tens de trabalhar com este miúdo, ele é mesmo bom’”, afirmou o cineasta, que posteriormente transformou o “miúdo” num dos atores mais participativos no seu cinema, com presenças em Gangs de Nova Iorque, O Aviador, The Departed, Shutter Island, O Lobo de Wall Street e, brevemente, em Killers of the Flower Moon.

Segundo Scorsese, DiCaprio ofereceu-lhe nos últimos 20 anos “uma nova oportunidade de vida” como cineasta.  “Posso dizer-lhe isso. Vejo em Leo o mesmo tipo de compromisso que Kirk Douglas tinha“, acrescentou. Presente na mesma cerimónia, DiCaprio afirmou: “Trabalhar com o Marty tornou-se quase um ecossistema encapsulado que aumentou em muito o meu conhecimento e apreço pelo cinema (…) Ele rapidamente tornou-se muito mais que um realizador, tornou-se um colaborador, um mentor, um amigo e um guia na história do nosso passado cinematográfico em conjunto”. 

Quem também marcou presença no evento foi Al Pacino, que conhece Scorsese há cerca de cinquenta anos e que o caracteriza como alguém muito fácil de confiar.

Finalmente, no seu discurso de aceitação do prémio, o realizador fez referência aos perigos que os autores enfrentam hoje em dia devido à indústria estar cada vez mais orientada para os algoritmos do que para a arte: “Percebo que compromisso e dedicação à forma de arte são sempre raros; portanto, quando você vê esse incrível comprometimento e dedicação, não o tome como garantido. Hoje vivemos num mundo novo e temos que ser extremamente vigilantes. Alguns realmente acreditam que essas qualidades [artísticas] de que falei podem ser substituídas por algoritmos, fórmulas e cálculos de negócio, mas lembrem-se de que tudo é uma ilusão, porque não há substituto para a expressão individual ou artística como Kirk Douglas conhecia e como a expressou através da sua longa carreira no cinema.”

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