Cerca de 40 ativistas bloquearam esta terça-feira, 12 de novembro, a entrada do cinema Le Champo na antestreia em Paris do filme J’accuse, de Roman Polanski.

Denunciado a cumplicidade das salas de cinema francesas com Polanski, os ativistas relembraram as acusações de violação contra o cineasta franco-polaco, a última das quais relatada recentemente por Valentine Monnier, que alega ter sido espancada e violada em 1975 pelo realizador, quando tinha 18 anos e estava numa estância de ski na Suíça com um amigo. Polanski, através dos seus advogados, já veio a público refutar essa acusação.
Consagrado em Veneza e nomeado aos Prémios do Cinema Europeu, J’Accuse estreia esta semana em França e na passada terça-feira foram vários os cinemas que organizaram antestreias, a principal das quais no cinema UGC Normandie, na Avenida dos Campos Elísios, na presença de atores como Vincent Perez, Michaël Youn. Esta nova acusação de violação alterou consideravalmente a promoção do filme em França, com alguns atores da obra a cancelarem a sua presença em entrevistas na TV e na Rádio.
Sociedade de Autores, Realizadores e Produtores toma medidas
Na sequência das acusações da atriz Adèle Haenel ao cineasta Christophe Ruggia, nas quais alegou que sofreu assédio sexual quando tinha entre os 12 e os 15 anos, a ARP (Sociedade de Autores Realizadores e Produtores) anunciou esta terça-feira que vai propor no seu próximo conselho de administração a exclusão de qualquer membro condenado pelo tribunal por ofensas sexuais.
No caso de acusações ainda não julgadas em tribunal, a associação vai propor a suspensão dos seus membros, podendo esta decisão afetar Roman Polanski.
Distribuição sem alterações
A Gaumont vai distribuir J’Accuse em França num total de 550 ecrãs e em declarações ao Screen Daily, o diretor-gerente da portuguesa Midas Filmes, Pedro Borges, afirmou que o filme será lançado no nosso país no final de janeiro. Borges referiu que estava “consciente da controvérsia” e que a distribuidora teve em conta as implicações de lançar um filme do cinesta: “É uma obra-prima e que recria um momento da história que não poderia ser mais pertinente nos dias atuais (…) Esperamos que as pessoas assistam ao filme, independentemente do que possam pensar sobre essas alegações“, afirmou ele ao Screen Daily.

