Morreu o cineasta experimental Gustav Deutsch

(Fotos: Divulgação)

Cineasta experimental austríaco, que tem trabalhado sobretudo com o found footage, para além de ser um artista visual, concebendo instalações, fotografias e diversos ensaios audiovisuais. Tinha 67 anos.

A sua morte foi anunciada pelo Museu do Cinema Austriaco, num comunicado em nome da sua mulher, Hanna Schimek: “Com a morte de Gustav Deutsch, perdemos um artista de destaque, cujo trabalho superava constantemente as fronteiras entre as diferentes divisões. Ele defendia a ideia de que a excelência estética pode ser conciliada com um compromisso intransigente com o impacto social da arte. Acima de tudo, ele era uma pessoa gentil e generosa“.

Segundo Deutsch, “um filme é mais que um filme“, e é com essa insígnia que lança-se numa carreira dedicada a provar essa mesma transcendência. O realizador vienense tornou-se um símbolo da chamada vanguarda de terceira geração do cinema austríaco (Martin Arnold, Dietmar Brehm, Mara Mattuschka), para além da sua polivalência. Anterior ao Cinema, Deutsch aventurava-se nas diferentes áreas artísticas; desenho, arquitetura (estudou na Technical University em Viena, o qual conclui em 1979), fotografia e música. Todas essas apetências levaram-no a uma natureza criativamente eclética e experimental. Em conjunto com a sua companheira, Hanna Schimek, realizou exposições em diversos locais do mundo, incluindo Marrocos ou em Lentos Kunstmuseum Linz (“Light | Image | Reality Atlas” 2004) e mais tarde fundou a Academia Aegina na ilha grega de Aegina, com a qual procurava fundir arte com ciência exacta.

Na década de 80, lançava-se ao “found footage” como veia principal do seu trabalho, recorrendo a filmes antigos para integrá-los em compostos seus. Entre as suas obras mais conhecidas contam-se o performativo Taschenkino – Interaktive Performance (1995), Film ist. (dividido em 12 partes, 1998) e Shirley: Visions of Reality (2013), o qual daria vida a 13 pinturas de Edward Hooper e que lhe garantia um Prémio Austríaco de Cinema.

Foi membro do estúdio Medienwerkstaat Wien entre os anos 1980 e 1983, espaço que acolhei os seus primeiros trabalhos experimentais audiovisuais, e do grupo artístico Der Blaue Kompressor Floating & Stomping Company.

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