A realizadora esteve presente em San Sebastián para apresentar o seu Delphine et Carole, insoumuses

Foi a própria realizadora que nos confidenciou numa entrevista (a publicar brevemente) em Donostia. No seu próximo projeto, ela vai voltar a reunir-se com Anne Destival, com quem já tinha trabalhado em Éric’s Tape (2017), para criar um híbrido entre o documentário e a ficção onde o SCUM Manifesto de Valerie Solanas é transposto para os dias de hoje para confrontar um grupo de homens brancos e heterossexuais. “Vamos colocar o seu feminismo à prova a partir do manifesto da Valerie Solanas“, disse McNulty ao c7nema.
“O SCUM Manifesto é um texto muito bom, muito provocador. Muitas vezes, na filosofia e psicologia é a mulher que é incompleta, que é passiva e o homem completo e ativo. A Solanas reverte tudo isso. É um texto feito no final dos anos 60 bastante engraçado e radical. Nós vamos colocar os homens a reagir a certas frases do texto. Já começamos as filmagens, mas estamos ainda no início. Não sei quando vamos terminar“, concluiu.
O SCUM Manifesto era pouco conhecido na época de lançamento até Solanas tentar matar Andy Warhol em 1968. Este evento trouxe uma atenção significativa do público para a obra – considerada maioritariamente satírica – e para a própria Solanas, que foi internada posteriormente numa ala psiquiátrica, diagnosticada com uma “reação esquizofrênica, do tipo paranóide com marcas de depressão e potencial suficiente para agir” .
Delphine et Carole, insoumuses

Estreado na última Berlinale, Delphine et Carole, insoumuses foi exibido em San Sebastián na secção Zabaltegi-Tabakalera. Este documentário que brevemente poderemos ver no Doclisboa é uma viagem ao universo das falecidas Delphine Seyrig (atriz) e Carole Roussopoulos (Videasta), as quais nos levam ao coração do feminismo da década de 1970 em França. Com uma câmara de vídeo na mão, a dupla combate com muita perseverança a sociedade patriarcal e misógina, sempre com muita insolência, intransigência e humor.
Um filme tributo de Callisto McNulty e uma tremenda viagem à vida de uma dupla que deixou a sua marca na luta feminista até hoje.

