Iñárritu contra “a ditadura do algoritmo”

(Fotos: Divulgação)

O cineasta Alejandro González  Iñárritu, responsável por filmes como Amor Cão, Babel e The Revenant,  lamentou numa masterclass no Festival de Sarajevo a “ditadura do algoritmo” na seleção de conteúdos para as plataformas de streaming.

A Netflix deveria perceber que alguns dos seus filmes deveriam ser lançados nos cinemas (…) Isso seria benéfico para o filme e para eles. Eles não perderiam pessoas que assistem a ele na TV. Se vês um grande filme no cinema e duas ou três semanas depois ele está na TV, assistes novamente.“, disse o realizador ao Screen Daily.

Iñárritu, que defendeu ainda a ideia de criação de uma plataforma “Netflix Plus”, que forneceria versões para cinema de alguns títulos da plataforma, afirmou que trabalharia para uma plataforma de streaming se tivesse algo para dizer no formato da TV. Confesso que não sou um tipo de TV. Até estou interessado nisso, mas não tive ainda a chance de pensar sobre o tema. O cinema é algo que eu entendo“.

Quanto ao estado do cinema atual, o mexicano critica a procura de conteúdos na sociedade contemporânea, onde o “divertimento” é a prioridade. Tudo tem que ser claro, compreensível, global, como um anúncio da Coca-Cola. Temos que agradar a todos, porque é um produto mundial“. Segundo ele, isso vai trazer um efeito negativo na criatividade das futuras gerações: “As possibilidades de experimentar e explorar acabaram, pois a TV exige uma globalidade para que todos entendam. (…) Isso alterou a resistência e as motivações dos jovens escritores e cineastas. O Cinema – aquela inspiração, que é uma jóia – provavelmente vai desaparecer.

Recorde-se que Iñárritu recebeu o prémio honorário Coração de Sarajevo pela sua contribuição à indústria cinematográfica na cerimónia de abertura do festival a 16 de agosto, ao lado do também cineasta Pawel Pawlikowski. Hoje (19 de agosto), cabe à francesa Isabelle Huppert ser homenageada antes da exibição do filme Les Misérables, de Ladj Ly.

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