O cinema documental está de luto. Morreu D. A Pennebaker (1925-2019)

(Fotos: Divulgação)

Faleceu na passada quinta-feira, aos 94 anos, D. A Pennebaker, aclamado cineasta e documentarista norte-americano, um dos pioneiros do Direct Cinema, teorizado por Dziga Vertov e batizado por Jean Rouch como cinéma vérité (cinema-verdade).

Nascido a 15 de julho de 1925, Don Alan “D. A.” Pennebaker frequentou o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em 1944-45 e estudou engenharia mecânica em Yale. Inicialmente trabalhou como engenheiro, mas nos anos 50 iniciou a sua carreira de documentarista, desenvolvendo em 1953 Daybreak Express, curta de cinco minutos filmada em 16mm – ao som da música homónima de Duke Ellington – sobre uma estação de metro na Third Avenue na cidade de Nova York.

Já nos anos 60 e 70, o cineasta – apelidado na época como cronista da contracultura norte-americana – trabalhou em inúmeros documentários ligados ao mundo da música, como os focados em Bob Dylan (Don’t Look Back, 1967), Little Richard (Little Richard: Keep on Rockin, 1969), David Bowie (Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, 1973), e John Lennon (John Lennon and the Plastic Ono Band: Sweet Toronto, 1969) e no evento pré-Woodstock, o Festival Pop de Monterey (Monterray Pop, 1968), ou do cinema e teatro, como em torno de Jane Fonda (Jane, 1962) ou da da visita de Jean-Luc Godard à Universidade Nova Iorque para falar de A Maoista (Two American Audiences: La Chinoise – A Film in the Making, 1968).

Em 1977, ele e a esposa, Chris Hegedus, com quem fez a maioria dos seus filmes nas últimas décadas, lançaram The Energy War, trabalho documental de cinco horas de duração, sobre o projeto de desregulamentação do gás por parte do então presidente dos EUA Jimmy Carter.

Nos anos que se seguiram, em conjunto com Hegedus, voltou a apostar em trabalhos ligados a música, como Jimi Hendrix Live (1989), Depeche Mode: 101 (1989) e Chuck Berry: Rock and Roll Music (1992), mas foi num documentário sobre a campanha presidencial de Bill Clinton em 1992, The War Room, que conseguiu a sua primeira e única nomeação aos Oscars. Não ganhou, mas viria a receber o prémio honorário da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em 2013.

Os seus filmes frequentemente viajaram por festivais de cinema, com Monterray Pop em Veneza, Jimi Plays Monterey (1986) em Sundance e Only the Strong Survive (2002), sobre um grande número de artistas veteranos da Stax Records, a ser apresentado em Cannes.

Parente distante de Marlon Brando, Pennebaker deu também aulas de documentário na Universidade de Yale.

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