Morreu Rutger Hauer, mítico vilão de Blade Runner

(Fotos: Divulgação)

“Bom ou mau, herói ou anti-herói, não me importa que papel eu interpreto, apenas que a personagem tenha algo mágico”.

Morreu o ator holandês Rutger Hauer, avança a Variety. Tinha 75 anos. 
 
O agente do ator confirmou o óbito, que ocorreu na passada sexta-feira, após um curto período de doença. O funeral decorreu hoje, quarta-feira, perante um círculo de amigos e familiares mais próximos.
 
Vencedor de um Globo de Ouro em 1987 pelo telefilme Escape from Sobibor (Fuga de Solibor), Hauer é mais conhecido por ter interpretado o herói cego de Blind Fury (Fúria Cega) e por ser o trágico vilão de Blade Runner – Perigo Iminente (1982).
 
Com quase duzentos créditos entre cinema e televisão, o holandês começou no teatro e depois de ter frequentado a Academia de Amesterdão participou em inúmeras peças da Noorder Compagnie. Foi entre encenações de trabalhos de Shakespeare e Joost van den Vondel que Hauer deu nas vistas, transitando para a TV em 1969, na série Floris.
 
Quatro anos depois, Paul Verhoeven chamou-o para o seu Delícias Turcas (1973), iniciando aqui o ator uma carreira diversificada em géneros que que vão desde as comédias românticas, aos filmes de ação, passando pelo terror, ficção científica, thrillers e dramas.
 

Delícias Turcas
 
 
Em 1977, 1980 e 1985 voltaria a colaborar com Verhoeven, primeiro em O Soldado da Rainha, depois em Viver Sem Amanhã, e finalmente em Amor e Sangue. Porém, o ator não aceitou a proposta do cineasta holandês em participar em Livro Negro (2006). Foi em 1982, no clássico de Ridley Scott, que deu vida a uma das suas personagens mais memoráveis, e mais queridas (por ele e pelo público), o androide Roy Batty (o seu monólogo é inesquecível). No ano seguinte, para além de estar presente em Eureka de Nicolas Roeg, filmou a última longa-metragem de Sam Peckinpah, o thriller de ação O Fim-de-Semana de Osterman (1983).
 
Seguiram-se filmes como O Guardião (1984), A Mulher Falcão (1985), Terror na Auto-Estrada (1986) e A Lenda do Santo Bebedor (1988). No início dos anos 90 ganha um pequeno culto a sua personagem em O Colar da Morte (1991) e aparece ainda em Buffy, Caçadora de Vampiros (1992). Não conseguiu o papel de Lestat em Entrevista Com Um Vampiro, baseado no livro de Anne Rice – que em entrevista afirmaria que quando escreveu a obra, pensou nele para o papel -, mas seguiram-se dezenas e dezenas de filmes entre o cinema e a TV, onde se inclui o filme português RPG (2013), que o mantiveram sempre em atividade.
 

Hauer em A Mulher Falcão
 
 
Nos últimos anos destaca-se ainda a sua participação em Batman – O Início (2005), Sin City: Cidade do Pecado (2005), O Rapto de Freddy Heineken (2011), O Moinho e a Cruz (2011), e nas séries Mata-Hari e Sangue Fresco – para além de todo o revivalismo de Hobo with a Shotgun (2011), onde desempenhava o papel de um sem-abrigo que assume o papel de herói improvável numa cidade cheia de criminosos.
 
Para além da carreira de ator, Hauer também ficou conhecido como forte defensor do meio ambiente, tendo – por exemplo – lutado pela libertação do cofundador da Greenpeace, Paul Watson, condenado em 1994 por afundar um navio ilegal baleeiro norueguês. De acordo com o site oficial de Rutger Hauer, o navio foi afundado em 1992 como um protesto contra a intenção anunciada da Noruega em regressar ao massacre dos animais com fins comerciais, o que violava a proibição global de caça às baleias.
 
Numa entrevista, Hauer descreveu uma vez os seus cinco filmes preferidos: Hiroshima, Meu Amor (1959); Apocalypse Now(1979); As Asas do Desejo (1987); GasLand (2010) e Stand van de Sterren (2010).

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