Adeus Édith Scob, a “face” de «Olhos sem Rosto» e «Holy Motors»

(Fotos: Divulgação)

Conhecida como os olhos sem rosto do filme de Georges Franju (Olhos sem Face), a atriz francesa Edith Scob morreu nesta quarta-feira (26/06). A notícia foi dada em primeira mão por Cédric Pourchet, da agência CinéArt. Tinha 81 anos.

Teve estreia no cinema em 1959 num pequeno papel em Os Muros do Desespero, mas foi no ano seguinte e sob a batuta do mesmo realizador (Georges Franju) que Édith Scob eternizou-se no imaginário cinéfilo. Olhos sem Face é tido nos dias de hoje como uma obra ímpar de terror psicológico, no qual a atriz interpreta Christine Génessier, filha desfigurada de um cirurgião obcecado em devolver o seu “rosto”.

Na altura o filme causou um certo repudio e desconforto em muitos da comunidade crítica, mas o gélido papel de Scob, que passava grande parte do filme por detrás de uma máscara, arrecadou elogios e aplausos. 52 anos depois, a “máscara” é repescada como uma homenagem em Holy Motors do imprevisível Leos Carax.

Voltaria a trabalhar com Franju em O Pecado de Teresa (1962), Judex, O Vingador (1963), Thomas L’Imposteur (1965). Entre os seus filmes mais célebre conta-se a colaboração com Luís Buñuel (A Vía Láctea, 1969), Henri Verneuil (O Poder do Dinheiro, 1982), Jacques Rivette (Joana d’Arc, a Donzela: As Prisões, 1994), o português Pedro Costa (Casa de Lava, 1994), o chileno Raul Ruiz (O Tempo Reencontrado, 1999), Andrzej Zulawski (A Fidelidade, 2000), Mia Hansen-Love (O que Está por Vir, 2016) e Paul Vecchiali (Le Cancre, 2016).

Em toda a sua carreira, apenas foi nomeada duas vezes para o César, uma em 2008 com o filme O Tempo de Verão, de Olivier Assayas, e o último com Holy Motors, segundo envolvimento com Carax, tendo estreado no seu cinema com Os Amantes da Ponte Nova (1991).

Últimas