
Homenageado com a Palma de Ouro Honorária no último Festival de Cannes, Alain Delon disse adeus ao cinema na cerimónia de homenagem. Em todas as entrevistas que tem dado, o ator atualmente com 83 anos mostra-se bastante determinado no que toca a vários temas, e numa nova conversa com o jornal suiço L’Illustré o ator falou da sua carreira e mostrou a sua visão sobre vários assuntos.
Por exemplo, Delon deixa claro que defende o suicídio assistido, uma prática cuja legitimidade continua a ser debatida na França, mas que é legal na Suiça, país onde vive desde 1978 (Genebra): “Sou totalmente a favor (…) Você está no seu quarto com as pessoas que você quer, com os amigos que você escolheu. Estes são os seus últimos momentos, mas é você quem decide, ninguém mais …“

Sobre a sua carreira e beleza, Delon disse que foram as mulheres que lhe deram a consciência disso e que foi graças a elas que fez cinema, quando regressou da Indochina: “Sem elas, estaria morto como um bandido. Eu fui para o exército quando tinha 17 anos. No meu regresso, um amigo disse: ‘Venha conhecer Saint-Germain-des-Prés’. Naquela noite, conheci uma mulher chamada Zizi (…) Ela tinha uma amiga que muitas vezes vinha vê-la: a atriz Brigitte Auber. Era nove anos mais velha que eu. Uma noite, foi amor à primeira vista. Foi a primeira que me disse: “Mas tens consciência do rosto que tens! Foste feito para o cinema! E tudo começou“. Descrevendo a sua carreira – como sempre o fez – “como um acidente“, Delon não tem dúvidas que a sua aparência e físico foram a chave para o sucesso. O ator acrescentou ainda que nunca se meteu em drogas e no álcool pela sua natureza e pela diferença dos tempos: “A droga, na época, tinhas que ser VIP e rico como o Cocteau ou o Jean Marais. Agora são todos, todos os atores. (…) No entanto, eu fumava muito. Dois maços por dia. Parei aos 50 anos, senão ia morrer.”
Delon e Romy Schneider
Delon comentou ainda alguns momentos particulares da sua vida, como a relação com Romy Schneider e a sua ligação emocional ao falecido Johnny Hallyday, com quem se reencontrou em 2017 no funeral de Mireille Darc- aquela que foi a sua companheira durante 15 anos. Curiosamente, o ator foi questionado sobre a razão porque Nathalie Canovas foi a única Sra. Delon na sua vida: “Aconteceu com ela o que aconteceu com os meus pais quando eu tinha 4 anos. Um divórcio. Depois disso, eles colocaram-me num orfanato. Nathalie, era para a vida, ficamos muito felizes, fizemos uma criança, o Anthony. Um dia, decidimos deixar-nos. E eu disse: “Nunca mais me vou casar.” Eu não queria que a história fosse repetida, para acabar como o Eddie Barclay e as suas seis esposas. Quando conheci outros amores, como a minha Mireille Darc, disse-lhe: ‘Sabes, Mimi, precisas saber que nunca irei casar-me contigo porque nunca mais me vou casar‘.”
Já sobre os alegados casos de abusos físicos a mulheres, Delon manteve o discurso que já tinha tido após a polémica em torno da sua celebração em Cannes, repetindo que foi “mais esbofeteado pelas mulheres do que o contrário” e mencionou o nome das cineastas com quem gostaria ainda de colaborar num eventual projeto: “Nicole Garcia, Lisa Azuelos e Maïwenn“.

