
Um novo documentário com chancela da The Film Sales Company, realizado por Pamela B. Green e que conta com Jodie Foster na produção executiva, propõe um novo olhar sobre aquela que foi uma das pioneiras da História do Cinema.
Be Natural – é assim o título do documentário que chegou a ser exibido fora de competição na última edição do Festival de Cannes, e agora que começa a chegar às salas norte-americanas em distribuição comercial – coloca Alice Guy-Blaché no centro das inovações estéticas e avanços técnicos que contribuíram para que o cinema se tivesse tornado numa forma de arte absolutamente preponderante no decorrer do século XX.
Iniciou a sua carreira em 1896, e ao longo de cerca de 1000 filmes (a maioria curtas-metragens, mas também cerca de 22 longas), teve a oportunidade em deixar a sua marca: foi, por exemplo, das primeiras a experimentar com som sincronizado e exímia no uso de tinturas à mão. Se o cinema se começou a distanciar dos “exercícios” de documentação ou “inscrição” do real, isso também se deve ao trabalho de Guy-Blaché. Mas também na própria matéria narrativa do cinema Guy-Blaché teve mão.
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Numa entrevista para o Hyperallergic, Green comenta que “o que havia de imensamente especial nela está relacionado com o seu envolvimento na criação de de uma gramática cinematográfica que hoje reconhecemos (…)” Para a realizadora, que entrevistou cineastas, atores e académicos contemporâneos para compor um retrato o mais abrangente possível desta figura incompreensívelmente relativizada na História do Cinema, era justamente a empatia que procurava estabelecer com a audiência que tornam Guy-Blaché numa realizadora vincadamente contemporânea. E a descobrir.

