Durante uma palestra intitulada “A Luta para Encontrar a sua Voz“, na Stern School of Business da Universidade de Nova York (via Indiewire), o cineasta M. Night Shyamalan confessou que as críticas norte-americanas ao seu mais recente filme, Glass, tiveram um efeito avassalador em si.
Explicando que estava em Londres, no camarim de um estúdio de televisão, quando ouviu pela primeira vez que a crítica norte-americana estava a arrasar o filme, Shyamalan confessou que a sua reação imediata foi chorar. Durante essa intervenção na universidade, Shyamalan afirmou ainda ser bastante sensível à crítica e, no caso de Glass, a má recepção levou-o a um certo desespero. “Honestamente, sentia algo do género: ‘eles nunca me deixarão ser diferente sem me atirarem para uma pilha de lixo?’. O sentimento de inutilidade precipitou-me e, para ser sincero, nunca saí de verdade. Mas de qualquer maneira, o filme continuou, certo? Tornou-se o número um em todos os países do mundo e representou as minhas crenças“.

O realizador declarou que a única maneira de superar essa desilusão foi aconselhar e motivar os mais jovens a seguirem os seus percursos como realizadores e argumentistas. Enquanto isso, Shyamalan falou sobre os seus receios, as decisões que se arrepende de ter tomado, embora assuma que é um ‘sortudo’: “Tive mais sucesso do que qualquer um deveria ter. Quero dizer, tudo o que escrevi foi oferecido para ser transformado em filme e os meus nove filmes, que são ideias originais, renderam uma média de 270 milhões de dólares (238 milhões de euros) cada. Acho que não posso reclamar de nada. Mas canso-me.“

Em relação aos arrependimentos, Shyamalan referiu Depois da Terra e o O Último Airbender: “Fiz alguns filmes CGI enormes e de grande orçamento. Sempre houve essa inexorável atração para se juntar ao ‘grupo’, uma sedução constante na forma do que nós queremos registar, na forma de dinheiro, ou segurança, tranquilidade, ou não ser criticado. Fiz estes filmes e com razão fui esmagado, pois eles diziam: ‘Tu não acreditas em ti mesmo, não acreditas na tua própria voz e não acreditas nos teus próprios valores‘. Senti-me perdido. Apenas não funcionaram. Provavelmente há algo de darwinista nisto tudo“.
Recordamos que Glass é o último filme da trilogia iniciada em 2001 com O Protegido, e seguido por Split: Fragmentado, em 2017, filme que fez Shyamalan regressar aos holofotes do sucesso, quer do público, quer da crítica. Apesar da negatividade que rodeou Glass em território americano, o filme foi geralmente bem recebido na comunidade crítica da Europa e do Brasil.

