Adeus Bibi Andersson, uma das grandes musas de Ingmar Bergman (1935 – 2019)

(Fotos: Divulgação)
Bibi Andersson, face imortalizada no Cinema de Ingmar Bergman, morreu neste domingo (14/04) com 83 anos.
A notícia foi avançada pelo jornal sueco Göteborgs-Posten, após as informações da sua filha Jenny Grede Dahlstrand. Bibi Andersson sofreu um derrame cerebral em 2009 e desde então estava internada num hospital de Estocolmo.
Nascida a 11 de novembro de 1935, Bibi interessou-se pelas artes bem cedo, resultando em alguns trabalhos comerciais e por fim, a estreia na atuação em 1953, com a comédia Dum-Bom. Entrou no Teatro Dramático Real um ano depois, tendo desistido após uma breve relação com Ingmar Bergman, o qual garantiu, indiscutivelmente os seus papéis mais célebres. Persona (1966), Morangos Silvestres (1957) e O Sétimo Selo (1957), três dos incontornáveis filmes da carreira do cineasta sueco tiveram como ponto comum a participação de Andersson, sendo que no primeiro, a desempenhar o papel da enfermeira Alma, colocou-a num dos rostos reconhecíveis da cinefilia.
Bibi Andersson e Liv Ullmann em Persona

Mas a contribuição com Bergman não se ficou por três filmes, atriz encarnou alguns dos seus sucessos, assim como dos filmes mais mal-compreendidos do realizador como O Olho do Diabo (1960) e O Sexo mais Forte (1964). Esta cumplicidade termina com As Cena da Vida Conjugal (1973), minissérie posteriormente convertida numa longa-metragem cinematográfica. Fora do universo de Bergman, contam-se algumas passagens por Hollywood, tendo trabalhado com Robert Altman (Quinteto, 1979), John Huston (A Carta do Kremlin, 1970), Anthony Page (Nunca te Prometi um Jardim de Rosas, 1977) e o “maldito” James Toback (Revelação, 1983).

No fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, Andersson trabalhou principalmente na televisão e em cinema e mostrou frequentemente o seu ativismo em questões relativas à paz e feministas.
Na década de 1990, envolveu-se no projeto Sarajevo Open Road, que visava levar as artes para a Jugoslávia devastada pela guerra, chegando a atuar na capital da Bósnia e Herzegovina, e em 1996 publicou a sua autobiografia Ett ögonblick (“Um Momento”).
Bibi Andersson em O Cavaleiro Templário
Já na década de 2000, volta a participar em vários filmes no seu país e conquista três estatuetas nos Prémios Guldbagge, os principais do cinema sueco. Ao juntar estas três distinções – em 2001 (Det blir aldrig som man tänkt sig), 2004 (Elina – Som om jag inte fanns) e 2008 (O Cavaleiro Templário) – à que tinha conquistado em 1967 (Persona), Bibi tornou-se a atriz mais premiada da história desta celebração do cinema local.

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