Ciclo Benoit Jacquot: o Marquês de Sade e a sedução da palavra

(Fotos: Divulgação)

O homem cujo nome originou uma das mais conhecidas palavras do universo da “perversão” (sexual ou não) – nunca foi consensual, mas Benoit Jacquot não foi o primeiro, nem será o último,  a insinuar que havia mais do que taras sexuais a envolver a figura do Marquês de Sade. O resultado da sua abordagem, “Sade” (2000), integra o ciclo dedicado ao cineasta francês no cinema Nimas (Lisboa), de 01 a 05 de outubro.

Atualmente em cartaz nas salas com seu último trabalho, “Adeus, Minha Rainha”, Jacquot já tinha, com “Sade”, se dedicado ao estado social e psicológico da aristocracia em derrocada durante a Revolução Francesa. Sade (aqui vivido por Daniel Auteuil), um dos sete indivíduos que se encontrava na prisão da Bastilha durante a sua queda, é retratado como um personagem sedutor – utilizando-se da inteligência e da articulação para seduzir a jovem Emilie (Isild Le Besco, que inicia aqui uma carreira com o realizador que já abrange cinco filmes). A ação passa-se num manicómio onde, através de subornos, nobres decadentes conseguem manter o seu nível de vida enquanto a ameaça do Terror (o ano é 1794) paira de forma cada vez mais inegável sobre as suas cabeças…

Benoit Jaqcuot vem da geração posterior à Nouvelle Vague, tendo procurado evitar, abertamente, os rumos que o cinema de arte tomou em França a partir dos anos 70 – em especial no que se refere aos excessos da teorização. A busca de um cinema mais subjetivo e interiorizado, fortemente influenciado pela literatura, marcou os seus primeiros tempos como cineasta.

Os novos rumos que procurava estão explícitos neste ciclo – que exibe os seus dois primeiros filmes: “L’Assassin Musicien” (1976) e “Les Enfants du Placard” (1977). O primeiro, baseado num romance de Dostoievsky, fala de um músico da província, que após comprar um violino não é aceita na orquestra local e parte numa viagem de comboio, onde conhece uma mulher por quem se apaixona. No papel principal a musa de Jean-Luc Godard, Anna Karina.

No caso de “Les Enfants du Placard” (“As Crianças do Armário”), trata-se de um retrato bastante sombrio em termos psicológicos, cuja história gira em torno de um irmão e uma irmã marcados pelas lembranças de infância, algumas boas (o “armário” era um lugar onde costumavam esconder-se nas suas brincadeiras) e outras trágicas, como a do suicídio da mãe.

“Les Mendiants” (“Os Mendigos”), de 1988, tem o acréscimo para o espetador português da curiosidade de ter sido filmado em Cacilhas. Obra que mistura o universo do teatro (dois atores que representam Otelo e vivem num hotel à beira-mar) e das ruas, com pequenos criminosos e contrabandistas. Com Dominique Sanda no papel principal.

“La Fille Seule” (“A Single Woman”), de 1995, já se insere no novo cinema do realizador, cuja obra sofre uma viragem a partir desta década – com filmes que abandonam a interiorização e tornam-se mais objetivos e voltados para o espetador. Retrato do mundo dos assalariados através da vida de uma camareira de hotel – primeira colaboração do cineasta com Virginie Ledoyen, que reaparece em “Adeus, Minha Rainha”.

Os filmes são exibidos nas seguintes datas, sempre às 21h30:
01/05: Sade
02/05: Les Enfants du Placard
03/05: Les Mendiants
04/05: La Fille Seule
05/05: L’Assassin Musicien

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