Realizador de «47 Ronin» afastado da pós produção do filme

(Fotos: Divulgação)

Tal como em qualquer empresa, também no desenvolver de um projeto cinematográfico, especialmente quando há muito dinheiro envolvido, existe uma hierarquia de comando e por conseguinte existe também aquilo de que normalmente se chama de relação patrão-empregado. A este último cabe o dever de cumprir com o esperado pelo empregador, caso contrario arrisca-se a dizer adeus ao seu posto de trabalho. Foi isso mesmo que aconteceu a Carl Erik Rinsch, realizador do filme «47 Ronin», que depois de alguns problemas com os  estúdios da Universal, deixa agora de “estar ligado” ao projecto.

O filme que conta que conta com Keanu Reeves no principal papel segue a historia de um grupo de 47 samurais que após a morte do seu mentor partem numa aventura em busca de vingança. A desconfiança de que algo não corria bem no seio deste projecto começou cedo, com o anúncio do adiamento da sua estreia de novembro deste ano para fevereiro de 2013. Estas suspeitas confirmam-se agora com a notícia do afastamento do realizador Carl Erik Rinsch da pós-produção de «47 Ronin», e com um novo adiamento, desta vez para a época natalícia de 2013.  

Segundo as informações avançadas, após o final de filmagens adicionais em Londres, Rinsch foi removido do projeto passando Donna Langley (co-CEO da Universal) a assumir a supervisão do processo de edição do filme. O diferendo entre a Universal e o realizador já vinha de trás, correndo rumores que o estúdio não estava agradado com a abordagem de Rinsch a este projecto. Apesar deste clima de tensão, o despedimento do realizador era impossível ao abrigo das leis do Directors Guild of America (Sindicato dos Realizadores), pelo que seria necessário aguardar pelo final das filmagens para tomar uma decisão. Pelo que consta, o principal diferendo entre o realizador e o estúdio prendia-se com  uma das cenas finais, que no entender da Universal  não tinha presença suficiente da estrela do filme: Keanu Reeves.  Para o corrigir, foi então necessária uma semana adicional de refilmagens, após a qual o realizador seria posto de parte. Após o sucedido, as mudanças feitas tiveram como foco principal tornar Reeves uma figura mais presente em toda a trama: Entre as principais  alterações constam a maior presença de close-ups do ator, bem como a adição de diálogos extra e a introdução de uma cena de sexo que não estaria planeada no guião.
 
 
Esta foi uma estreia amarga para Carl Erik Rinsch, um veterano realizador de anúncios publicitários, que depois de no ano de 2012 surpreender os estúdios de Hollywood com a sua curta-metragem «The Gift», vê-se agora afastado da sua primeira experiência como realizador de uma longa-metragem.  Fontes ligadas ao projeto já o caracterizaram como um “pesadelo” e falam de uma considerável derrapagem orçamental, com o total a atingir os 225 milhões de dólares, apesar de a Universal continuar a declarar que o filme ainda está dentro dos 175 milhões previstos.

Apesar de não ser algo comum, ultimamente este tipo de problemas tem acontecido com alguma frequência pelo que o que aconteceu nos bastidores de «47 Ronin» não é uma excepção. Só no ano de 2012 temos os casos de: «World War Z», cuja estreia foi adiado para 2013 após sofrer uma profunda revisão do seu guião já depois de as filmagens terem começado. Neste momento está nova fase extensiva de refilmagens; «Dredd 3D» com estreia marcada para 27 de setembro em solo nacional, sofreu problemas semelhantes, com o seu realizador Pete Travis a ser afastado da pós-produção do filme por divergências com os produtores; e por último, lançado no primeiro trimestre de 2012,  «John Carter», cujos adiamentos constantes e refilmagens muito dispendiosas levaram a uma grande derrapagem orçamental com os custos de produção a atingiram cerca de 250 milhões de dólares.

2012 parece ser um ano problemático para os blockbustesr e é de estranhar a ocorrência de tantos problemas em projetos desta envergadura. Os estúdios, por seu lado, parecem não abdicar de lançar um produto que corresponda as suas expectativas e pelo que podemos observar estão dispostos a fazer qualquer tipo de ajustamento para o conseguir. No que toca a «47 Ronin», resta agora esperar para saber se os responsáveis da Universal levarão a bom porto um filme que parece ter perdido o rumo.
 
 

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