Isabel Coixet, realizadora catalã conhecida por filmes como «A minha vida sem mim» e «A vida secreta das palavras» e uma figura chave no panorama do cinema contemporâneo espanhol, encontra-se em Barcelona a filmar o seu novo projeto «Ayer no termina nunca», traduzido literalmente por “O ontem nunca acaba”.
Tendo como atores principais Javier Cámara e Candela Penã, e um argumento inteiramente escrito por Coixet, pouco mais se sabe acerca deste projeto, já que todos os envolvidos tiveram de assinar um contrato de confidencialidade, exigido pela própria realizadora. Esta afirma que os espectadores, hoje em dia, sabem demasiado sobre os filmes quando entram na sala do cinema, sendo essa saturação de informação prejudicial, porque quanto mais se sabe, menos se quer ver. “Gostaria que os espectadores vissem este filme sem saberem quase nada da história”, diz a cineasta, justificando assim a sua escolha.
Sabe-se, contudo, que a narrativa decorre num futuro próximo, em 2017, sendo assim o regresso de Coixet à ficção depois do controverso «Map of the sounds of Tokyo» de 2009, e ao universo do «A minha vida sem mim», misturado com a atual crise que se vive em Espanha. Espera-se assim um filme centrado em emoções e com a sensibilidade típica e silêncios desconcertantes que sobressaem dos filmes da realizadora, deixando para trás o desapontante «Map of the sounds of Tokyo», e o subestimado «Elegia».
«Ayer no termina nunca» é co-produzido pela companhia da realizadora, a Miss Wasabi, em conjunto com a Contracorriente Films. Mal acabe este projeto, a realizadora começará a filmar «Panda Eyes», contando com a participação de Jonathan Rhys-Meyers, filme de terror inspirado no conhecido «The Ring- O aviso». As filmagens terão lugar em Cardiff, e será uma total mudança do registo habitual da realizadora.
Paralelamente, Isaki Lacuesta, realizador catalão vencedor inesperado da Concha de Ouro no Festival de San Sebastián, no ano passado, pelo filme «Los pasos doubles», passa para um registo mais comercial com o seu novo projeto «Murieron por encima de sus possibilidades».
Isaki Lacuesta
«Murierion», protagonizado por José Maria Pou, Sergi Lopez e Raúl Arévalo, trata-se de uma tragicomédia de humor negro, uma sátira sobre a Espanha dos dias de hoje. A história narra a vida destruída pela crise económica de 5 espanhóis que, após levados para uma ala psiquiátrica, fazem planos para salvar a economia mundial, raptando e torturando um bancário.
O realizador, também autor de «Los condenados» e «La leyenda del tiempo», pretende alcançar uma audiência mais abrangente- aquela cuja natureza do filme permite. Lacuesta já é conhecido por conseguir fazer de filmes de baixo orçamento grandes projetos e este parece não ser exceção: a fita tem um orçamento de 1.2 milhões de euros, sendo inteiramente financiado sem subsídios públicos. Um teaser de 7 minutos será mostrado em San Sebastián no sentido de promover o projeto e encontrar potenciais colaboradores.
Considerado um dos realizadores catalães mais originais e importantes dos dias de hoje, este filme mais focado para as massas parece trazer a oportunidade merecida para o seu conhecimento e reconhecimento da sua obra .

