Entre Veneza e Toronto, Brian De Palma apresenta «Passion»

(Fotos: Divulgação)
 
Cinco anos depois de ter realizado «Censurado», pseudo documentário centrado num pequeno grupo de soldados americanos estacionados num posto de controlo no Iraque, Brian de Palma apresentou no Festival de Veneza  e leva agora a Toronto «Passion», um remake do filme francês «Crime D’amour» – a última obra assinada em 2010 pelo falecido Alain Corneau e que foi interpretada por Ludivine Sagnier e Kristin Scott Thomas.

Desta vez o protagonismo foi entregue a Noomi Rapace e Rachel McAdams, atrizes que já trabalham juntas em «Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras» e que aqui representam duas mulheres sedentas pelo poder e reconhecimento, ambas empregadas numa empresa de publicidade em Berlim, e cuja relação e rivalidade culmina da pior maneira

De Palma diz mesmo que este é «um filme de mulheres» onde de um lado temos Isabelle (Rapace), uma personagem negra, perigosa e que acreditamos que é capaz de matar alguém e do outro temos a luminosa (e loira) Rachel McAdams, uma personagem sexy, muito manipuladora e maldosa. Ao duo junta-se a ruiva Karoline Herfurth (O Perfume), atriz germânica que interpreta a personagem de Dani, a assistente, a única que «naquele ninho de víboras tem coração».

Noomi Rapace


Mas o que atraiu a De Palma para o levar a executar este remake? Segundo o próprio, «o facto de ser um thriller, o melhor género para contar uma história a nível visual. Eu gostei das personagens do filme de Alain Corneau, mas eu pensei numa maneira diferente de revelar o assassino. Reescrevi o guião de maneira a existirem inúmeras surpresas, muitos suspeitos e que não se soubesse quem era o assassino. Para além disso, executei uma série de truques para que a audiência acreditasse numa coisa quando tinha ocorrido essencialmente outra».

Construindo assim um thriller erótico carregado com as suas referências habituais – duplas identidades, o uso de máscaras, o estilo hitchcockiano e  sequências que repetem planos de outras obras suas), De Palma deixa a sua assinatura, mas esta não tem sido muito bem vista pela imprensa em geral, que não se cansa de dizer que o realizador se autoplagia em demasia e que caiu numa verdadeira redundância criativa. Por outro lado, há vozes que acentuam o tom menos sério da obra em relação ao original, apesar da sua forma whodunit prender invariavelmente a atenção do espectador.
 

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