Já são conhecidos os nomes de mais sete filmes que foram submetidos à Academia de Artes e Ciências na corrida ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Assim, o primeiro destaque vai para a escolha polaca, «80 million». Passado no início dos anos 80, este thriller com contornos históricos segue alguns elementos do Solidariedade que, para fugir à opressão que o regime comunista lhes impunha e o medo das suas contas serem congeladas, decidem retirar do banco 80 milhões de zlot que pertenciam a uma conta da organização. E pode-se dizer que este é já um dos candidatos à nomeação já que o estilo da obra certamente agradará uma audiência americana. Um grande destaque para o trabalho de Piotr Głowacki no papel de vilão.
Já a Ucrânia submeteu «Firecrosser», um filme de Mykhailo Ilienko. Na obra, também com contornos históricos, seguimos um piloto soviético de origem ucraniana que é feito prisioneiro dos fascistas durante a 2ª Guerra Mundial, é transformado em herói e posteriormente encarcerado num Gulag nos tempos de Estaline. Mais tarde, e num volte face impressionante, ele acabou como líder tribal no Canadá. O filme estreou no Festival Internacional de Kiev, certame onde ganhou o Grande Prémio.
Firecrosser
Tal como a Ucrânia, o Azerbeijão também optou por um filme «feel good». Aqui a escolha recaiu em «Buta». Filmado a preto e branco, na obra acompanhamos a tocante história de um órfão e de um homem idoso.
Ainda na Europa, a Grécia também já fez a sua escolha. Intitulado «Unfair World», esta comédia negra contemporânea assinada por Filippos Tsitos segue um polícia desiludido com o estado das coisas e que decide distribuir justiça através dos seus próprios padrões humanistas. Na realidade estamos perante uma poderosa sátira, cujo título de certa maneira evoca o estado e a visão da sociedade grega atualmente.
Finalmente, e ainda no velho continente, realce para a escolha sueca: «O Hipnotista», de Lasse Hallström. Considerado por muitos como a novela policial que cativou na Suécia os seguidores de Stieg Larsson e da sua trilogia Millennium, esta adaptação da novela de Lars Kepler (pseudónimo de uma dupla de escritores, Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril, escritora filha de uma portuguesa).
No livro/filme seguimos Erik Maria Bark, o mais famoso hipnotista da Suécia. Acusado de falta de ética, e com o casamento à beira do colapso, ele jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose nos seus pacientes e há dez anos que se mantém fiel à sua promessa. Até agora. Em Estocolmo, uma família é brutalmente assassinada e a única testemunha está internada no hospital em estado de choque; Josef Ek, de apenas 15 anos, presenciou o massacre dos seus pais e irmã mais nova, sendo ele próprio encontrado numa poça de sangue, vivo por milagre.
«O Hipnotista»
Mudando de continente, o Japão escolheu «Our Homeland», drama de Yang Yong-hi que passou pelo Festival de Berlim. Na obra seguimos um corano que visita a sua família no Japão após um longo exílio na Coreia do Norte.
Por fim, e ainda na Ásia, mas já no Médio Oriente, realce para a indicação por parte da Palestina de «When I Saw You», filme de Annemarie Jacir. Passado na Jordânia em 1967, no filme seguimos um miúdo de 11 anos que foge de um campo de refugiados em busca da liberdade. De notar que esta obra terá ainda a sua estreia no Festival de Toronto.
Com mais estas sete escolhas, são já treze as nações com filmes submetidos. Aqui fica a lista com os outros países que já submeteram filmes à Academia.
{xtypo_rounded2} Outros Filmes selecionados até ao momento
Alemanha
«Barbara» de Christian Petzold
«Barbara» de Christian Petzold
«Barbara» passou e triunfou no passado Festival de Berlim (Urso de Prata para Melhor Realizador) e foi o filme mais nomeado prémios alemães de cinema (os Prémios Lola) com um total de oito nomeações (incluindo Melhor Filme, Realizador, Argumento e Ator). A obra acabaria por perder para «Stopped on Track» de Andreas Dresen, mas isso não evitou esta indicação.
No filme estamos na Alemanha de Leste e seguimos uma mulher que é castigada pelo regime após manifestar o desejo de sair do país. Para isso ela é transferida para a província onde vai descobrir o amor, mas também muitas duvidas (e paranóia) se o seu interesse amoroso não faz parte de mais uma manobra das Stasi (serviços secretos da Alemanha de Leste).
Áustria
«Amour» de Michael Haneke
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e protagonizado por Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva e Isabelle Huppert, o filme segue um casal de professores de música reformados que vê o seu amor testado quando a mulher sofre um AVC e fica parcialmente paralisada. De notar que a portuguesa Rita Blanco participa no filme num pequeno papel.
Sérvia
«When Day Breaks» de Goran Paskaljević
Na obra seguimos um professor de musica reformado que após a descoberta de um antigo campo de concentração nazi vai descobrir a verdade sobre a sua origem.
Marrocos
Mort à Vendre» (Death for Sale) de Faouzi Bensaïdi
Vencedor do Prémio CICAE na secção panorama do Festival de Berlim. Na obra seguimos três amigos que em Tetouan, uma cidade marroquina, decidem roubar a maior joalharia da cidade para escapar a um futuro sem esperança.
Cambodja
«Lost Loves» de Chhay Bora
Baseado numa história verídica, o filme acompanha Num Sila, uma das muitas mães que fizeram o que puderam para manter a sua família viva, mas que assistiram ao extermínio, terror e fome nos anos em que os Khmer vermelhos estiveram no poder.
Venezuela
«Rock, Paper, Scissors» (Piedra, Papel o Tijera) de Hernan Jabes
«Rock, Paper, Scissors» (Piedra, Papel o Tijera) de Hernan Jabes
Com um tom a puxar a Inarritu e passando o ritmo infernal de Caracas para o grande ecrã, na obra acompanhamos duas famílias de classes diferentes em rota de colisão.
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