A cineasta argentina Lucrecia Martel vai ter como próximo projeto a adaptação ao cinema de «Zama», uma novela histórica assinada por Antonio Di Benedetto.
A notícia foi avançada em Veneza onde a cineasta apresentou «Muta», uma curta-metragem comissionada pela marca italiana Miu Miu.
Em «Zama» estamos seguimos um oficial da coroa espanhola, Don Diego de Zama. Servindo em Assunção do Paraguai, o homem anseia pela sua transferência para Buenos Aires, abandonando aquilo que define como os confins da colónia.
De notar que este projeto terá o financiamento de diversos produtores, estando entre eles a El Deseo de Pedro Almodóvar. E enquanto se busca um co-produtor francês, e até se traduz o guião para francês e inglês, as filmagens estão já marcadas para julho de 2013, dependendo claro de como as coisas correrão em termos de financiamento, que é forçosamenteo maior problema: «É um projeto muito ambicioso e também dispendioso pois decorre num país desconhecido da América Latina em 1790. Como todos os filmes do género, esta fita necessita de um maior financiamento», admitiu Lita Stantic, produtora habituada a trabalhar com Martel.
Recordamos que esta não é a primeira vez que uma obra de Di Benedetto chega aos cinemas, em particular aos argentinos. Em 2005, Juan Villegas levou «Los Suicidas» às salas, e já em 2010 foi a vez de Fernando Spiner transformar «Aballay» num filme de relativo sucesso – que foi mesmo o nomeado argentino ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Quanto a Martel, realizadora de filmes como «O Pântano» e «A Rapariga Santa», regressa assim aos cinemas depois de «A Mulher Sem Cabeça», uma obra de 2008. A razão por essa ausência de quatro anos prende-se com o falhanço de levar ao cinema «El Eternauta», uma adaptação ao cinema de uma banda-desenhada muito famosa, especialmente em Buenos Aires, publicada em capítulos em 1957.
Criada por Héctor Oesterheld – que anos mais tarde e durante a ditadura foi assassinado juntamente com as suas quatro filhas – esta banda-desenhada seguia uma invasão de extraterrestres que ocorre na capital argentina, numa clara metáfora à luta entre o imperialismo americano e o pensamento sul americano na época. A verdade é que a sua visão da história acabou por levar a divergências criativas e conceituais com a produção, o que levou o projeto mudar de realizador após alguns meses de desenvolvimento.

