Dramas infantis entre os melhores filmes da semana

(Fotos: Divulgação)

Se em termos de cinema comercial a semana 09/08 não é muito animadora, é do universo alternativo que vêm as propostas mais instigantes para os apreciadores da sétima arte em todas as suas facetas. Do Japão e da Alemanha vem enfoques bem diferentes da infância – em projetos extremamente bem recebidos pela crítica internacional: “O Meu Maior Desejo”, de Hirokazu Koreeda e “O Silêncio”, do suíço Baran Bo Odar.

“O Meu Maior Desejo”


Realização: Hirokazu Koreeda
Elenco: Koki Maeda, Oshiro Maeda. Japão, 2011.

O premiado realizador japonês Hirokazu Koreeda aparece aqui num dos seus registos mais elogiados, vencedor de prémio de Melhor Argumento no Festival de San Sebastián do ano passado e que reuniu internacionalmente um verdadeiro consenso crítico. Koreeda retoma temáticas de trabalhos anteriores ao abordar a vida de dois irmãos (vivido por dois irmãos na vida real) separados um do outro após o divórcio dos pais. Um deles então imagina a invenção de um TGV que os possa voltar a unir.

O filme tem sido descrito internacionalmente como uma versão mais leve de seu trabalho mais célebre, “Ninguém Sabe”, presente na seleção oficial de Cannes em 2004 – abordava a vida de quatro crianças abandonadas pelos pais. Também aparece conectado com outros dramas familiares ou fantasias sombrias da sua carreira. 10º filme de Koreeda, cujas obras já estiveram em todos os mais importantes festivais do mundo, com exceção de Berlim.

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“O Silêncio”

 
 
 
Realização: Baran Bo Odar
Elenco:  Ulrich Thomsen, Burghart Klaußner.  Alemanha, 2010.

Bo Odar diz que os produtores do seu filme de estreia ofereceram-lhe cerca de 100 livros para escolher um que gostasse de adaptar. Sintomaticamente, o escolhido foi lido num único dia: “The Silence”, do escritor alemão Jan Costin Wagner. Igualmente fluído foi o processo de escrita, dado o estilo cinemático do autor. Numa pequena cidade da Baviera uma pré-adolescente desaparece no mesmo lugar onde facto semelhante tinha acontecido 23 anos antes – forçando os envolvidos a reviverem a tragédia.

Apesar deste ponto de partida típico de filmes policiais, o realizador alertou logo que não estava interessado em fazer um típico whodunit: mais do que a perspetiva policial interessava-lhe o desenvolvimento dos personagens.

Em termos de produção, o cineasta teve a vida facilitada quando alguns nomes importantes do cinema alemão aceitaram compor o elenco de “O Silêncio”. Mesmo assim, as negociações envolvendo o financiamento prolongaram-se por cerca de um ano. Rodado na Baviera com um budget de € 2,3 milhões, no seu país reuniu um enorme consenso crítico e foi indicado para Melhor Filme no Festival de Nuremberga e pelo German Critics Awards. Bo Odar atualmente trabalha num thriller passado em Chicago e num filme de terror passado num barco – que ele descreveu de forma irónica como um encontro entre “The Shining” e “Titanic”.

 
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