Pelo menos foi essa apreciação, de forma alguma consensual, de uma das mais importantes revistas culturais francesas, Les Inrockuptibles. A ironia refere-se à forma relativamente leve com que o veterano Bertrand Tavernier, historicamente um dos mais importantes realizadores franceses, abordou um dos períodos mais sangrentos da história do seu país. Todavia, vários críticos, especialmente nos Estados Unidos, viram muitas qualidades no filme, e destacaram particularmente a contemporaneidade do filme – que apesar de tratar de história consegue abordar temáticas atuais.
Na verdade a abordagem nem é tão leve assim e o filme exibe cenas bem realistas das matanças recíprocas entre católicos e protestantes no final do século XVI – mas também é notório que o foco acaba por ser o drama amoroso que envolve a personagem-título, obrigada a casar por interesse estando apaixonada por outro homem.
Madame de la Fayette, que viveu no século XVII, foi autora daquele que é considerado uma das primeiras novelas da história da literatura francesa. Foi um conto homónimo seu, publicado anonimamente em 1662, que Tavernier adaptou aqui. Trata-se de uma perspetiva feminina da aristocracia enquadrada numa época que as mulheres pouco direito de tomar as suas decisões.
24º filme do septuagenário realizador francês, o filme é uma co-produção franco-alemã de € 13 milhões. Fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes 2010 e teve sete nomeações ao Cesar (o Oscar francês). Venceu o de Melhor Guarda Roupa.
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A PRINCESA DE MONTPENSIER
Realização: Bertrand Tavernier
Elenco: Mélanie Thierry, Gaspard Ulliel, Grégoire Leprince-Ringuet, Lambert Wilson, Raphaël Personnaz. França, 2010.
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