O Canal+, grupo francês com canais por subscrição e streaming, além de atividade no financiamento, produção e distribuição de cinema e televisão, ameaçou retirar um investimento de mil milhões de euros no cinema francês, entre 2028 e 2032, caso avance a subida do IVA de de 10% para 20% nas subscrições de televisão. Esta subida do IVA integra o projeto de orçamento para 2027, que ainda terá de passar pelo Parlamento francês.
Em declarações à RTL, Maxime Saada, presidente do grupo, afirmou que a alteração teria um impacto de aproximadamente de 200 milhões de euros por ano. “Investimos mais no cinema do que qualquer outro operador. O nosso compromisso com as organizações do cinema é um contrato e a primeira cláusula, a contrapartida pelo financiamento da Canal+ ao cinema, é a taxa reduzida de IVA”, afirmou.
A empresa é há décadas uma das principais financiadoras da produção cinematográfica francesa e conseguiu, em negociações anteriores, reduzir o intervalo entre a estreia dos filmes nas salas e a sua disponibilização no seu serviço em troca de investimento no setor. Segundo Saada, se a Canal+ se limitar às obrigações legais mínimas, a contribuição anual do grupo para o cinema poderá cair para cerca de 50 milhões de euros.
Nos últimos tempos, a relação da Canal+ com o cinema francês tem atravessado várias tensões, particularmente depois de Maxime Saada ter provocado forte contestação ao admitir que a empresa deixaria de trabalhar com profissionais que tinham assinado uma carta crítica de Vincent Bolloré, principal acionista do grupo, cuja esfera mediática mantém ligações cada vez mais próximas com figuras e ideias da direita conservadora e mesmo extrema-direita. A ameaça de cortar agora o investimento devido à subida do IVA surge, assim, num momento em que a influência da Canal+ no financiamento do cinema francês voltou a estar sob escrutínio.

