“La Marca Del Jaguar” anima o Marché de Cannes

(Fotos: Divulgação)

Num momento em que a animação latino-americana luta para se manter ativa e fértil, apesar da ausência da sua mais importante montra continental (o Anima Mundi, paralisado desde 2019), um único representante do sector foi selecionado para a Croisette, no âmbito do programa Ventana Sur Goes to Cannes, com presença assegurada no Marché du Film 2026, integrado no mais prestigiado festival do mundo, a decorrer de 12 a 23 de maio, na Côte d’Azur. La Marca del Jaguar une Brasil e México, sob a realização de Victor Mayorga. A produtora brasileira Origem Content, de Ducca Rios e Maria Luiza Barros — conhecida por Meu Tio José e Revoada – Versão Steampunk —, em sinergia com a distribuidora Tucuman/Fênix, liderada por Priscila Miranda do Rosário, associa-se à mexicana Ocelotl Company para levar o projeto ao circuito internacional. No argumento, Xilacatzin, uma jovem guerreira que ostenta a marca do jaguar no peito, vive uma aventura épica quando a deusa Itzpapalotl rouba os ossos sagrados do Templo Mayor, ameaçando aniquilar a humanidade. Injustamente acusada do roubo, Xilacatzin foge para recuperar os ossos e salvar o mundo.

Cannes e, mais particularmente, o Marché du Film continuam a ser a principal montra para novos filmes e projetos, funcionando também como o maior trampolim para a carreira dessas obras, bem como dos seus realizadores”, explica Ducca. “No programa do mercado em que participamos, o Ventana Sur Goes to Cannes, teremos a oportunidade de apresentar o filme — que provavelmente já estará 100% concluído aquando do festival — aos principais agentes de vendas e distribuidores do mundo, numa sessão de pitching exclusiva. Tudo isto é muito importante e a nossa expectativa é regressar de Cannes com bons acordos fechados.

O processo de produção iniciou-se após a obtenção de financiamento através da linha Prodecine 02/2016 da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Ainda em fase de conceção, o projeto foi selecionado para o Meet the Producers do Festival de Annecy, em 2023, e para o Festival de Havana, na categoria de Pós-produção, em 2025. A entrada no Ventana Sur Goes to Cannes consolida definitivamente o percurso e poderá servir de montra para futuras participações em eventos competitivos de relevo na área da animação.

A presença em Cannes legitima um percurso que começou muito cedo, ainda na fase de desenvolvimento, e resulta de uma parceria muito afinada entre mim e a Origem Content. Este projeto nasce dentro de um modelo muito específico, viabilizado pela linha Prodecine 2 da Ancine, que foi extremamente importante para o sector”, explica Priscila. “Tratava-se de um mecanismo automático, no qual o distribuidor tinha peso direto na decisão de investimento — ou seja, entrava já com projetos que reconhecia como promissores também do ponto de vista da circulação. Isso cria uma base muito sólida, porque o filme nasce já com uma estratégia internacional estruturada. No nosso caso, a Origem conduz o desenvolvimento criativo, e nós tratamos toda a construção do posicionamento internacional desde o início. É um dos projetos de que mais me orgulho, precisamente por essa relação tão alinhada. E fico ainda mais satisfeita por isto acontecer num ano em que Cannes evidencia a força da animação na sua programação.”

Na simbiose entre a Origem Content e a Tucuman/Fénix, as longas-metragens realizadas por Ducca Rios têm alcançado projeção internacional através da participação em alguns dos mais importantes festivais e prémios do mundo, como Annecy, Havana, Moscovo e, agora, Cannes.

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Paralelamente, a construção contínua de coproduções com outros países, como México, Portugal, França e Argentina, afirma-se como um vetor fundamental nesse percurso”, acrescenta Ducca. “Como realizador, encontro-me na minha terceira longa-metragem de animação e estou a desenvolver a minha oitava série, esta em coprodução com Portugal. Em La Marca del Jaguar, coproduzida com o México, assumo o papel de produtor maioritário, juntamente com Maria Luiza Barros. Temos ainda em carteira dois novos projetos de longa-metragem — um em coprodução com a Argentina e outro com França —, além de novos planos envolvendo México e Portugal.

As ligações ao cinema português têm sido estratégicas na forma como Ducca desenvolve o seu trabalho em animação:

“Atualmente, temos uma sólida parceria entre a Origem Content, do Brasil, e a Ready to Shoot, de Portugal. Com esta, estamos a finalizar uma série de animação para o público infantil intitulada A Menina Que Sorria a Dormir. Deverá estar concluída ainda no primeiro semestre de 2026 e baseia-se na obra da escritora portuguesa Isabel Zambujal, contando com argumento da autora, bem como com guiões e realização da minha responsabilidade. O projeto conta com financiamento da Ancine/FSA e do ICA. Também aqui somos os produtores maioritários pelo Brasil. Estamos igualmente a desenvolver outros projetos com diferentes empresas portuguesas, que serão anunciados em breve.”

Além de La Marca del Jaguar, o programa Ventana Sur Goes to Cannes, no âmbito do Marché du Film 2026, inclui ainda El Pasto (Argentina/Uruguai), Las Mantis (Argentina/Espanha), Como tú me ves (México/Argentina) e Cuando yo existía (Uruguai/Espanha).

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