John Turturro celebra a arte da transformação em “The Only Living Pickpocket in New York”

(Fotos: Divulgação)

Importado de Sundance para a Berlinale, The Only Living Pickpocket in New York chegou a Berlim com estatuto de carta de amor à mais icónica metrópole dos Estados Unidos. A equipa por detrás deste thriller realizado pelo ator Noah Segan sublinhou, numa descontraída conferência de imprensa que encheu o hotel Hyatt — muito por força da presença de John Turturro —, a importância da geografia nova-iorquina na construção do filme.

“Existem diferentes Nova Iorques, porque existem diferentes mundos dentro daquela cidade, que tem empurrado muitas pessoas para fora. A minha personagem está ligada a um debate sobre luta de classes, um tema recorrente nas minhas escolhas. Gosto de interpretar pessoas que desempenham trabalhos manuais”, afirmou Turturro ao C7nema.

Com direção de fotografia de Sam Levy, o eterno intérprete de Barton Fink (1991) dá vida a um ladrão profissional que rouba a mochila de um jovem problemático (Will Price), sem saber que este é um mafioso. Entre os objetos furtados encontra-se um chip que conduz o portador a segredos — leia-se dinheiro — do crime organizado. A partir daí, o filme assume uma energia que cruza o Scorsese de After Hours (1985) com o nervosismo urbano dos irmãos Safdie em Uncut Gems (2019), compondo uma espécie de conto moral sobre a dureza da vida na malandragem.

“Não pensei Nova Iorque como personagem, mas como palco onde milhares de histórias podem ser contadas. O diferencial seria abordá-la de forma pessoal, permitindo-me ir mais fundo. Só assim poderia surgir um filme original”, explicou Noah Segan ao C7nema.

Filmado em 26 dias, The Only Living Pickpocket in New York reúne um elenco de peso ao lado de Turturro: Giancarlo Esposito, Steve Buscemi, Karina Arroyave e uma irrepreensível Jamie Lee Curtis. O conjunto ajuda Segan a construir um poema cinematográfico crepuscular sobre o que é efémero e o que permanece.

“Só há uma constante na vida: ela muda”, declarou Turturro. “O cinema independente que se fazia nos anos 60, a partir de John Cassavetes, é diferente do que se faz hoje. Mas a arte, perante todas as transformações do mundo, encontra sempre o seu caminho.”

A Berlinale termina este sábado.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/yihf

Últimas