Tahar Rahim antecipa detalhes do novo ‘Os Miseráveis’

(Fotos: Divulgação)

Convidado da secção Conversas do 22.º Festival de Marraquexe desta quarta-feira, o francês de ascendência argelina Tahar Rahim antecipou ao C7nema detalhes da nova versão audiovisual do livro Os Miseráveis, um marco da literatura universal publicado em 1862 por Victor Hugo (1802-1885), prevista para chegar aos ecrãs em 2026. Fred Cavayé (Adieu Monsieur Haffmann (2021)) é o realizador e autor do guião, que traz Rahim como Javert e Vincent Lindon como Jean Valjean. Camille Cottin e Noémie Merlant também integram o elenco. Na trama, Javert persegue Valjean pelo roubo de um pão, até que um acidente as separa. Anos depois, com Valjean enriquecido e integrado em castas burguesas, voltam a encontrar-se e a perseguição recomeça.

“Tornou-se quase uma tradição francesa fazer um novo filme deste livro de 40 em 40 anos, e fiquei orgulhoso de ter sido escolhido para viver Javert. Tentámos trazer uma visão diferente do texto. Curiosamente, começámos pelo fim. O foco está mais no confronto entre Javert e Valjean, criando ritmo e algo que prenda o público jovem. Há uma luta, um jogo de gato e rato, quase como em O Fugitivo (1993), com Harrison Ford e Tommy Lee Jones. Iniciámos pelo desfecho porque hoje já não basta aceitar romanticamente que alguém abandone a sua jornada apenas por perceber que estava errado. Esse final precisa de explicação. Encontrámos uma semente disso no livro e fizemo-la crescer. Mas isso guardo para depois”, afirmou o actor, que despontou para o estrelato em O Profeta (2009), de Jacques Audiard.

Em 2024, encheu as salas de França à frente de Monsieur Aznavour (2024), no papel do mítico cantor de origem arménia Shahnur Vaghinak Aznavourian (1924-2018), celebrizado entre nós como Charles Aznavour. Na realização, a dupla de cineastas Mehdi Idir e Grand Corps Malade, responsáveis também pelo argumento, acompanha a transformação do jovem sem eira nem beira, sem um franco no bolso, num ídolo mundial, ao som de êxitos que ecoaram por via da rádio em escala planetária. La Bohème e Emmenez-moi figuram entre as baladas mais famosas de uma banda sonora que faz plateias suspirarem. Numa interpretação comovente, o próprio Rahim canta Les Comédiens, Mé Qué Mé Qué e Trousse Chemise.

“Mesmo que não saibas quem Aznavour foi, quando és criança, entras num táxi e ouves a música dele. Entras num bar e ouves a música dele. Numa celebração, num casamento, onde for… ele está lá. Nos sets, sentia-se como se estivesse connosco o tempo todo”, disse o actor de 44 anos, que este ano deslumbrou Cannes com a sua interpretação em Alpha (2024), drama familiar com ecos de body horror de Julia Ducournau.

Interpreta um dependente de drogas que sofre de uma doença transmitida pelo sangue, metáfora da sida, às voltas com uma irmã profissional de saúde (Golshifteh Farahani) e com uma sobrinha adolescente confrontada com o clamor do sexo.

“Às vezes, temos milhares de questões e pensamentos dissonantes quando tens de trabalhar com uma actriz, especialmente sendo a primeira vez. Quando a Golshifteh e eu nos conhecemos, já sabia quem ela era — já nos tínhamos cruzado — mas nunca propriamente convivido. Quando aconteceu o encontro profissional, pareceu simplesmente certo. E quando sentes isso a ler à mesa, quando sentes a magia, não faças perguntas. Abraça a sensação. Tudo estava lá, e a Julia, ao longo da rodagem, foi regando isso”, explica o astro, que já filmou para a Marvel (Madame Teia (2024)) e grandes produções francesas (Samba (2014)). “Trabalhei em várias línguas: inglês, arménio, árabe, berbere, gaélico antigo… é isso que procuro desde o início. Se puder continuar assim — saltar de universo em universo, de indústria em indústria, de país em país, de língua em língua — ficarei feliz”.

O Festival de Marraquexe decorre até 6 de dezembro.

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