Kevin Smith prepara continuação de “Dogma”

(Fotos: Divulgação)

Ainda não é tempo de o Superman com Nicolas Cage idealizado por Kevin Smith nos anos 1990 alçar voo, mas é o momento de “Dogma” (1999), o seu filme mais controverso, ganhar uma segunda parte . O elenco original já está em conversas com o cineasta de 54 anos, o que sugere o retorno dos anjos nada angelicais Bartleby e Loki (Ben Affleck e Matt Damon) às telas. Esse é o plano que o realizador de “Chasing Amy” (1997) contou ao C7nema esta tarde, em Cannes, no meio de uma projeção da sua fábula teológica (com Alanis Morissette no papel de Deus) pela seção Classics da Croisette.

Toda a gente que está viva e participou no ‘Dogma’, de 1999, está em contato. Lamento não ter Alan Rickman e George Carlin. O rapaz que fui e escreveu aquele filme não existe mais, porém, ainda quero voltar a um universo que gerou controvérsia em quem não parou para vê-lo. Não fizemos ‘A Última Tentação de Cristo’, de Scorsese – que é um filme bem melhor, aliás -, mas há algo de emblemático ali. Eu tenho um clube de fãs e eles interessam-se por ver o que criamos“, disse Smith, que anseia ver o “Superman” de James Gunn sem planos de retomar a sua versão do último filho de Krypton.

Ele foi sondado pela DC Comics quando a sua estética nerd se transformou numa febre global, com “Clerks“, comédia premiada em Sundance, em 1994. O seu êxito na primeira metade da década de 1990 veio no turbilhão indie dos EUA.

Estávamos na Semana da Crítica no mesmo ano em que o Tarantino exibiu ‘Pulp Fiction’. Naquela época, ser indie significava fazer o que os estúdios não faziam. Hoje, as ideias desse tipo transformaram-se em séries para o streaming“, diz Smith, que prepara uma trama nos moldes de “Tubarão“, mas sobre um alce, chamado “Moose Jaws“. “Não fui fazer cinema porque a indústria quis, mas porque queria contar histórias e da minha maneira“.

Em “Dogma“, Linda Fiorentino vive Bethany, uma cristã em crise com a fé que descobre ser uma espécie de predestinada, abordada por querubins e pelo tal par de seres celestes cheios de ira vividos por Damon e Affleck.

Não se tratava de algo tipo Monty Python como ‘A Vida de Brian’. Era só um tipo a dizer que acredita na fé. Damon tinha acabado de fazer ‘The Rainmaker’ com Coppola e Affleck estava já a se afirmar. É um camarada que sabe dizer os diálogos que escrevo de um jeito incrível“, diz Smith, que vai andar em tournée com “Dogma” pelos EUA adentro numa reestreia da película. “Vamos ter mais salas hoje do que tivemos na época“.

O Festival de Cannes termina no dia 24 maio.

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