European Film Market mantém-se “eficiente” sob nova direção

(Fotos: Divulgação)

Com mais uma edição da Berlinale a chegar ao fim neste domingo, a indústria do cinema toma nota dos negócios feitos – e não feitos – durante o European Film Market, o encontro para profissionais que teve lugar entre 13 e 19 de fevereiro.

Uma equipa de direção renovada seguiu um ano recorde: em 2024, o EFM registou mais de 12 mil visitantes, e este ano não ficou atrás, afirma Tanja Meissner, nova diretora da Berlinale Pro. Percentagens significativas de participantes vêm da Alemanha, Estados Unidos da América, França, e Espanha; este último foi o país em foco nesta edição do EFM. Meissner aponta ainda um interesse crescente por parte de profissionais da Europa de Leste.

Segundo relatado pela Deadline, as expetativas para o EFM nas últimas semanas eram geralmente positivas. Um AFM (American Film Market) desapontante em novembro e um Sundance inerte em janeiro criaram espaço para desenvolvimentos entusiasmantes em Berlim, naquele que é tradicionalmente o primeiro mercado de cinema do ano civil. Ainda assim, o desastre dos incêndios em Los Angeles criou receios – temporários – quanto à presença das agências norte-americanos no evento.

Entre os filmes em competição para o Urso de Ouro, “The Blue Trail” de Gabriel Mascaro assegurou distribuição em vários territórios. “The Ice Tower”, de Lucile Hadžihalilović e com Marion Cotillard, foi vendido para os Estados Unidos, com distribuição da Yellow Veil Pictures.

A Sony Pictures Classics vai distribuir “Vie Privée” de Rebecca Zlotowski na América do Norte e América Latina, com Jodie Foster num raro papel em francês. O drama “To a Land Unknown”, que aborda a crise de refugiados da Palestina, foi vendido para mais de 40 territórios. “DJ Ahmet”, que estreou em Sundance e é representado pela Films Boutique, continua a registar vendas.

Vários títulos chegaram ao mercado em fase de pré-venda, incluindo “Calle Malaga”, da realizadora Maryam Touzani e que conta com Carmen Maura no papel principal; “My Notes on Mars” de Lili Horvát com Andrew Scott e Greta Lee a partilhar o ecrã; e o filme épico “The Captive”, baseado na vida de Miguel de Cervantes e realizado por Alejandro Amenábar (“The Others”). Também anunciada durante o EFM, a estreia de Kate Winslet como realizadora com “Goodbye June” contará com Toni Colette, Timothy Spall e Helen Mirren, num filme para a Netflix escrito pelo filho da atriz inglesa.

Curiosamente, muitos filmes associados a nomes de alto calibre retiram-se do EFM sem novidades (oficiais), como é o caso de “Good Sex” (Lena Dunham com Natalie Portman), “Eddington” (Ari Aster com a A24, elenco conta com Joaquin Phoenix, Pedro Pascal, Emma Stone e Austin Butler), e um thriller, ainda sem nome, realizado por Ernest Dickerson e protagonizado por Samuel L. Jackson.

As tendências observadas este ano parecem uma continuação natural do panorama dos tempos recentes: forte aposta em narrativas híbridas e filmes de género, além das fronteiras do típico arthouse; abundância de elementos de terror e fantasia. Quem o afirma é Martina Bleis, diretora do mercado de coproduções encaixado no EFM. O European Film Market concluiu sem grandes explosões nem surpresas, o que pode ser visto como um trunfo, dado o cenário agitado no mercado internacional de cinema.

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