Adeus Ray Liotta (1954-2022)

(Fotos: Divulgação)

O ator norte-americano Ray Liotta, que deu vida ao inesquecível Henry Hill em “Tudo Bons Rapazes”, o filme de Martin Scorsese que lhe abriu em definitivo a portas para o estrelato, morreu na noite de quarta para quinta-feira. O site Deadline avança que o ator se encontrava na República Dominicana a filmar aquele que seria o seu próximo filme, “Dangerous Waters”, tendo morrido durante o sono. Tinha 67 anos.

Nascido a 18 de dezembro de 1954 em Newark, Liotta foi abandonado num orfanato, tendo sido adotado aos seis meses pela família do dono de uma loja de peças para automóvel, Alfred Liotta, um descendente de emigrantes italianos.  É depois dos estudos na universidade, já em Nova Iorque, que o começa a dar os primeiros passos na carreira de ator, em produções para televisão como “Another World”, onde trabalhou de 1978 a 1981. É em Los Angeles que começa a sua carreira em cinema: estreou-se 1983, em “The Lonely Lady”, ao lado de Pia Zandora e Lloyd Bochner, num filme realizado por Peter Sasdy. Foi um percurso que se pode dizer meteórico: passados três anos tem o seu primeiro grande papel, com um desempenho que lhe vai valer uma nomeação para um Globo de Ouro de melhor ator secundário, num filme foi realizado por Jonathan Demme: “Selvagem e Perigosa”, de 1986.

A partir daqui Liotta inicia um percurso em ascensão que o levará a cruzar-se um dos realizadores da sua carreira: Martin Scorsese. Em 1989 atua naquele que é considerado um dos melhores filmes sobre baseball, “Campo de Sonhos”. Realizado por Phil Alden Robinson, o filme contou no elenco com Kevin Costner, Amy Madigan e Burt Lancaster (num dos seus últimos papéis), tendo sido reconhecido com três nomeações para Óscar, incluindo a de melhor filme.

Tudo Bons Rapazes” aparece em 1990, um flime que assinalou um mudança na carreira de Scorsese pelo retratro violento mas humano que faz do mundo do crime e da máfia. Sucesso estrondoso (mais do lado da crítica que de bilheteira), o seu desempenho como Henry Hill abre as portas a uma carreira intensa ao longo dos anos 1990. “Obsessão Selvagem” (1992), “Corrina, Corrina” (1994) “Inesquecível” (1996), “Copland – Zona Exclusiva” (1997), foram alguns dos filmes de maior relevo em que participou.

Na década seguinte e na entrada do novo milénio, entrou naquela que foi a sequela de “O Silêncio dos Inocentes”, “Hannibal”,  realizada por Ridley Scott. Outro dos papeis mais destacáveis nesta década ocorreu lado a lado com Johnny Depp em “Blow” (2001), realizado por Ted Demme.

Em tempos mais recentes, a carreira de Liotta estava numa fase de renovada atenção popular, num percurso que o colocou na órbita de uma nova geração de atores. Em 2019 contracenou com Adam Driver e Scarlett Johansson no flime realizado por Noah Baumbach, “Marriage Story“, e ainda o ano passado tivemos oportunidade de vê-lo em “No Sudden Move“, de Steven Soderbergh.

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