É um cineasta com uma carreira um tanto hesitante, com um percurso com passagem pelo choque mediático (“9 songs”) ou por momentos chave da cultura popular (“24 Hour Party People”), mas também capaz de uma sensibilidade reveladora de uma consciência política aberta à condição humana (In This World). Michael Winterbottom, um dos nomes mais respeitados do cinema britânico, está de volta, e o seu último filme, “Eleven Days in May”, segue essa linha de trabalho mais “política”: trata-se de um documentário feito em colaboração com o realizador Mohammed Sawwaf e que aborda o doloroso assunto das crianças mortas durante um bombardeamento israelita em maio de 2021. Foram 11 dias de horror e violência que deixaram uma marca que importa refletir.
Numa recente entrevista ao jornal The Guardian, a dupla de realizadores aborda a experiência da colaboração e da realidade do quotidiano na Faixa de Gaza. Para Sawwaf, o propósito era simples: “[documentar] o contraste entre a morte e a vida. Mostrar às pessoas aquilo que a guerra fez – matou um futuro.” O documentário, com estreia no Reino Unido prevista para maio, procura ir além do registo a que nos habituaram as reportagens televisivas sobre o conflito na Faixa de Gaza, um registo que tende a sair da memória do público, como comenta Winterbottom.
“Eleven Days in May” não tem dada prevista de estreia em Portugal.

