Morreu o ator Ned Beatty (1937-2021)

(Fotos: Divulgação)

Faleceu aos 83 anos Ned Beatty, ator em filmes como “Deliverance” (1972), ”Nashville” (1975), “Escândalo na TV” (1976)  e “Superman – O Filme” (1978).

Foi mesmo com “Deliverance” (“Fim de Semana Alucinante”, em Portugal) que iniciou a sua carreira, acumulando cerca de 166 créditos no cinema e TV até 2013, altura em que surgiu pela última vez no grande ecrã, em “Baggage Claim”.

Nascido em Louisville, Kentucky, filho de Margaret (Fortney) e Charles William Beatty, Ned cresceu numa quinta num ambiente que não abria qualquer porta a uma carreira na indústria do entretenimento, mas como ironizou em entrevista anos depois de já estar inserido no mundo do cinema, tudo começou quando começou a “dar-se com as pessoas erradas“. Esse grupo de “bad boys” incluía alguns dos nomes mais proeminentes da indústria, como John Huston, Robert Altman, Paul Newman, Richard Burton, Charlton Heston, Marlon Brando e Robert Redford.

Da barbearia onde cantava e atuava aos 10 anos, Beatty foi para o teatro em Abingdon, na Virgínia, seguindo depois para o Erie Playhouse na Pensilvânia, o Playhouse Theatre em Houston (Texas), e a Arena Stage Company em Washington, D.C. Mais tarde, surgiu na produção da Broadway de “The Great White Hope“, saltando para o cinema quando John Boorman o escolheu para o papel de Bobby Trippe em “Deliverance”.

Foi nesse filme que fez amizade com Burt Reynolds, o que lhe abriu as portas para participar em vários filmes com esse ator, incluindo “McKlusky – O Indomável” (1973),  “W.W. and the Dixie Dancekings” (1975), “Gator, o Implacável” (1976) e “Prego a Fundo” (1983).

Com John Huston e Paul Newman colaborou em “O Juiz Roy Bean” (1973) e com Altman participou em ”Nashville” (1975). Seguiram-se clássicos como “Os Homens do Presidente“, de Alan J. Pakula; “Mikey and Nicky (1976)”, de Elaine May; e “Escândalo na TV“, de Sidney Lumet. No meio de tantos sucessos da crítica, surgiram também alguns desastres, como o que marcou o seu reencontro com Boorman nas filmagens de “Exorcista II: O Herege” (1977).

Em 1978 deu nas vistas como Otis em “Superman – O Filme”, atuando ao lado de Gene Hackman e Christopher Reeve, fechando a década com uma colaboração com o ainda jovem Steven Spielberg, na comédia “1941 – Ano Louco em Hollywood“.

Se fechou uma década sob o signo da comédia, abriu os anos 80 da mesma maneira, fossem elas de aventuras (O Espião Mais Perigoso do Mundo…) ou de ficção científica (Queridos, a mamã encolheu), além – claro – de aparecer em “Superman n.º 2 – A aventura continua” (1980).

A partir daqui as suas presenças na TV ganham terreno (com presenças em “Um Anjo na Terra” ou “Alfred Hitchcock Apresenta“, entre outros), mas ainda foi visto frequentemente nos cinemas, como em “Regresso à Escola” (1986), novamente uma comédia, e diversos filmes de ação (Vingança Rolante; Heróis U.S.A.).

Inicia os anos 90 ao lado de Leslie Nielsen em “Onde Pára o Diabo?“, paródia a “O Exorcista“, seguindo-se participações em “As Aventuras do Capitão América“, “Rudy, os sonhos nunca morrem” (1993) e nas séries de TV “Roseanne” e “Departamento de Homicídios“.

O ator voltou aos palcos e à Broadway em 2003 para interpretar Big Daddy numa reencenação de “Cat on a Hot Tin Roof” (Gata em Telhado de Zinco Quente), ganhando um prémio Drama Desk. Mais recentemente, atuou em “O Atirador” (2007), ao lado de Mark Whalberg, “O Acompanhante” (2007), de Paul Schrader, “Rampart – O Renegado” (2011), de Oren Moverman, emprestando ainda a voz a “Toy Story 3” (2010) e “Rango” (2011).

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