Oscars 2009 – O dia em que a Academia se afastou da América, por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)
 Passadeira Vermelha
 
 
O espectáculo do glamour e a fogueira das vaidades prometem muito todos os anos. São várias horas de vestidos, malas, jóias, sapatos, inveja e muita tinta a correr dias depois. Em ano de crise a passadeira vermelha não parece ter sido excepção. Com tanta ergonomia no vestir, poucas foram as que arriscaram ser alvo de chacota na imprensa. No entanto, ainda houve modelitos de bradar aos céus.

 
O pior:
 
 
 
 
Sarah Jessica Parker – Está farta das crises no seu casamento, e assim, apareceu vestida de noiva e com o marido pelo braço. Rumores desmentidos.
 
 
 
 
 
Beyonce – Já lhe disseram que qualquer trapito lhe assenta bem, mas depois dos florões deste ano é melhor rever isso. O Jay Z ou não apareceu ou foi ofuscado no meio de tantas flores.
 
 
 
 
 
Marisa Tomei – Parece ter sido apoquentada por um crescimento de ego, só assim se explica o vestido três tamanhos acima.
 
 
 
 
 
 
Melissa George – a rapariga deve ter ficado afectada com a saída da série “Grey’s Anatomy” pois esqueceu-se do vestido e levou um belo corpete D&G.
 
 
 
 
 

Jessica Biel – Sem Timberlake apareceu com uma enorme laçarote/dobra no vestido, com o cabelito todo esgadelhado e o telemóvel por perto. Ciumitos do mais que tudo?
 
 
 
 

Sophia Loren – Está, sem surpresa, mais velha, mas surpreendentemente mais castanha. É melhor moderar-mos esse solário, não Sophia?
 
 
 
 
Evan Rachel Wood – Já devia saber que qualquer mulher pálida de transparente pode vestir tudo menos branco. Quase não se via onde acabava o vestido e começava a pele.


O melhor:

 
 
 

 
Anne Hathaway – Assemelhava-se a uma sereia. A escolha mais acertada da noite.
 
 
 
 
 
 
Meryl Streep – Há que saber viver com a idade e dentro e fora dos ecrãs, Meryl sabe.
 
 
 
 

 
Natalie Portman – Sempre um toque refrescante, pretty in pink.
 
 
 

 
Freida Pinto – O vestido até podia não ser dos mais bonitos mas com um rosto daqueles.
 
 
 
 

Penélope Cruz – Não há muito mais a dizer chegou deslumbrante e sozinha, saiu deslumbrante e com um Oscar.

 
 
 

Taraji P. Henson – Não era das favoritas mas acabou por se fazer notar na passadeira vermelha.
 
 


 
A Cerimónia
 
 

 
Hugh Jackman – Claramente um peixe fora de água, o australiano chegou, cantou e dançou, cumpriu o seu papel, mas nunca saiu de perto do seu ponto de segurança. Piadas foram poucas mas se calhar os actores presentes nas primeiras filas não permitiam muito mais. Excepção feita ao delay aumentado a Mickey Rourke, caso vencesse, depois do discurso que este proferiu nos BAFTA.
 
 
 
 
Melhores Momentos

 
Ben Stiller imita Joaquim Phoenix – Momento intervenção. Alguém tinha de o fazer e Stiller acabou por ter um dos melhores momentos da cerimónia.

Steve Martin e Tina Fey – Momento Cientologia. O tema não se esgota, nem o bom humor destes dois. Duas hipóteses para futuros apresentadores (Martim já foi).

Pineapple Express – O filme ainda não chegou cá, mas o spot em que James Franco e Seth Rogen revivem as suas personagens foi do melhorzinho que se viu.

Philippe Petit – o equilíbrio da estatueta, valeu a pena.

Queen Latifah – Cantou em palco em memória dos desaparecidos. De notar que Charlton Heston estava no lote mas foi ignorado pelas palmas.

Danny Boyle – Receber um Oscar aos saltos e a imitar o Tigger do “Winnie the Pooh”, o que um homem não faz pelos filhos.

Robert de Niro a apresentar Sean Penn – Não é fácil mexer com Sean Penn mas a De Niro perdoa-se tudo.

Número de abertura – Foi diferente e até correu bem, mesmo sem o habitual stand up.

Penélope Cruz – Acabou por fazer um dos melhores discursos da noite.

 
 

Piores momentos

 

Jennifer Anniston – Não deve ter sido fácil para Jennifer apresentar com Brad e Angelina na primeira fila. Apareceu constrangida e chegou a ser constrangedor de ver. Anniston podia ter-se poupado àquele momento.

Kate Winslet – Após tantas nomeações gritar um até que enfim estava na ordem. Falou bem, recordou a infância mas pareceu demasiado mecanizada. Esperava outra reacção.

Jerry Lewis – Recebido com pouca emoção, retribuiu-a.

Quinteto de Apresentadores – A ideia nem é má. Actores premiados fazem um discurso directo aos nomeados. Mas faltou qualquer coisa, nem que fossem os teasers com o melhor de cada interpretação. Foi frio.

Loveleen Tandan – Onde estava a co-realizadora de “Slumdog Milionaire” e porque não foi nomeada.

 
 

A finalizar:
 
 
 
Sean Penn é americano e venceu um Oscar. Nada mais natural. Quando interpreta um político assumidamente gay talvez já não seja tão natural assim. Mas mesmo assim a vitória de Penn como actor, e de Dustin Lance Black para melhor argumento original (ao contar a história de um personagem real?), ambos por “Milk”, foram o que de mais americano teve a cerimónia.

Os prémios referentes ao ano 2008 revelaram um claro distanciamento da Academia face ao cinema puramente americano. Tudo na cerimónia parecia querer cortar com o passado. Até o mundo dourado do politicamente correcto da apresentação. Longe de outros anos, tão próximos.

Bollywood venceu Hollywood pela mão dos ingleses que resolveram contar a história do milionário cuja vida se cruza com as respostas de um concurso. Israel também foi derrotado quando o seu filme favorito ao Oscar, “Waltz with Bashir”, acabou por perder para o Japão. Uma solução mais politicamente correcta, não vos parece?

A representação espanhola venceu mais uma vez pela mão de Penélope Cruz, premiada por um filme de Woody Allen. Até um super vilão arrecadou uma estatueta. Heath Ledger foi premiado a título póstumo pelo seu brilhante Joker. No entanto, e não querendo questionar a justiça do prémio, se Ledger tivesse sobrevivido, teria merecido tal atenção?

Sem George W Bush para atacar, com a homossexualidade na ordem do dia… e sem uma única referencia a Barack Obama (Sean Penn chamou-lhe elegante), os Óscares pareceram tão cor-de-rosa como o vestido de Alicia Keys.

De resto, tudo normal. Benjamim Button parecia condenado a ver navios e viu, “Frost/Nixon” a passar ao lado dos prémios e passou, e “The Reader”, o filme que ninguém viu, estava destinado a dar o tão ansiado Oscar à injustiçada Kate Winslet, e deu.

Contas ajustadas? Pois para o ano há mais.

 
Carla Calheiros
 
Todas as fotos foram cedidas por Richard Harbaugh / ©A.M.P.A.S. 

Últimas