Foi um visivelmente nervoso e comovido Viggo Mortensen que recebeu ontem o Prémio Donostia no Festival de San Sebastian.
O ator e agora realizador, que apresentou no certame “Falling”, agradeceu a distinção, adiantando que quando pensa na “ impressionante lista de artistas que receberam o Prémio Donostia” sente-se um “sortudo por estar incluído nessa tradição“. Mortensen acrescentou ainda que vê a distinção como um impulso para continuar a aprender e a melhorar na profissão.
Foi das mãos do cineasta Agustín Díaz Yanes, que o dirigiu em “Alatriste” (2006), que Mortensen recebeu o prémio, sendo ainda surpreendido em palco pelo jogador de futebol da Real Sociedad, Asier Illaramendi, que presenteou Viggo com duas camisolas: uma da Real Sociedad, o clube da cidade de San Sebastián, e outra do San Lorenzo da Argentina, do qual o ator e realizador é fã. Foi também do mundo do futebol que veio outra das surpresas da noite. Uma mensagem em vídeo do argentino Beto Acosta, ex-jogador do San Lorenzo, que deu os parabéns e prometeu oferecer-lhe uma camisola do clube.

Outra aparição em vídeo foi a de David Cronenberg, que considerou um privilégio trabalhar com Viggo Mortensen em filmes como “History of Violence” (2005), “Eastern Promises” (2007) e “A Dangerous Method” (2011). “Não temos aqui apenas um ator maravilhoso, temos uma equipa de produção inteira: temos um escritor, uma pessoa que adquire adereços, um operador de câmara … Acho que ele também desempenharia algumas funções de grupo se lhe pedíssemos. Ele conhece todos os aspectos do cinema, é tão prestativo e colaborativo, e faz a sua colaboração de uma forma tão doce, gentil e humana que é uma bênção tê-lo num set de filmagens. E esse é um dos motivos porque acho que este prémio é muito apropriado ”, disse o cineasta canadiano, que curiosamente tem um pequeno papel em “Falling”.
Na homenagem, Mortensen terminou com uma “reflexão” sobre a situação dos dias hoje. “De uma forma ou de outra, a Covid-19 lixou-nos a todos e continuará a lixar-nos durante algum tempo, mas este é apenas mais um obstáculo na nossa existência. Sempre vivemos com a incerteza, embora talvez estejamos mais conscientes disso neste momento. A incerteza é a lei da vida, mas não vamos esquecer que a vida é uma dádiva. Devemos continuar a seguir em frente, acompanhando os que estão sós e homenageando aqueles que já não estão cá, fazendo o melhor que podemos e com o melhor da nossa imaginação (…) Viva o Cinema”.

