Dias europeus: arranca hoje (08/11) o Festival de Cinema de Sevilha

(Fotos: Divulgação)

É um dos maiores festivais de cinema. Sendo que o que mais o distingue é o facto de ser exclusivamente dedicado ao cinema europeu. 

A 16ª edição do Festival de Cinema de Sevilha decorre entre 8 e 16 de novembro. O C7nema estará presente neste certame, que amanhã (dia 9) terá uma cerimónia que apresentará os nomeados aos prémios do European Film Awards – cuja entrega é feita em Berlim a 7 de dezembro. Estão previstas a exibição de 220 filmes, entre as quais 35 estreias mundiais.

Tal como em anos anteriores, o festival acaba por ser um barómetro de “a quantos anda”, afinal, o cinema de autor produzido no histórico continente. Mais do que isso, termina por ser um pêndulo da própria unidade europeia: há dois anos, bandeiras espanholas entupiam a cidade em plena crise da Catalunha para sublinhar um desejo de unidade. Como se sabe, o fantasma da fragmentação voltou e Sevilha, novamente, apresenta o seu festival num momento crucial…

Falando-se de filmes, propriamente, as honras de abertura ficam com a “prata da casa”, o espanhol Madre. A obra é uma versão longa de uma curta-metragem de 2017 que foi nomeada aos Oscares de Melhor Curta-Metragem e contava a história de um menino que tinha ido passar um fim de semana com o pai mas liga à mãe a dizer que está sozinho na praia.

De resto, entre os destaques da programação estão diversos títulos saídos da última edição do Festival de Veneza e ainda inéditos por cá. Um deles é About Endless, o novo trabalho de Roy Andersson que, no ano passado, esteve no festival para apresentar algumas sequências já filmadas. Numa delas, e fiel as idiossincrasias do cinema do sueco, eram arremessadas questões filosóficas a um grupo de entediados passageiros de um autocarro numa viagem quotidiana.

Também sem estreia prevista por cá estão os novos filmes de Robert Guediguian e Sergei Loznitsa. No primeiro caso, em Gloria Mundi, o cineasta francês traz os seus habituais temas sociais e um drama familiar marcado por personagens às voltas com a selvajaria neoliberal. Já o documentário do ucraniano, Funeral State, mergulha nas memórias estalinistas, mesmo tema tem Mr. Jones, celebrado o trabalho de Agnieska Holland.

Um verdadeiro funeral da memória é o que se lamenta em La Mafia Ya no Es lo que Era de Franco Maresco, o homem por trás de Belluscone – Una Storia Siciliana, onde as mortes dos juízes promotores de uma das maiores devassas contra a máfia siciliana, Paolo Borselino e Giovanni Falcone, quase parecem ter sido em vão. A temática também está presente em O Traidor, este já estreado em território nacional, onde Marco Bellochio o aborda através da figura do delator, Tommaso Buscetta.

De resto nomes que dispensam maiores apresentações, como Abel Ferrara, Elia Suleiman, Corneliu Porumboiu, Albert Serra e Fatih Akin, entre muitos outros, completam a programação.

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