O Tempo destrói tudo, isso é mais que sabido, mas ele também constrói. Constrói uma perspetiva, uma noção e acima de tudo a História. Neste caso a História do Cinema, que é novamente revisitada no CLOSE-UP – Observatório de Cinema, neste seu quarto episódio, como é habitual, a ter lugar na Casa das Artes de Famalicão, entre os dias 12 a 19 de outubro.
Novamente, uma programação recheada de filmes, concertos, temáticas, round tables e muitos convidados naquela que já é a mais respeitada comunhão de cinefilia do país. E voltando ao Tempo, a História do Cinema que é constante revista, CLOSE-UP contará como prato principal dois acompanhamentos musicais a dois dos grandes clássicos do cinema russo; o sempre incontornável O Couraço Potemkine, de Sergei Eisenstein, com a Orquestra de Jazz de Matosinhos a condizer, e o aclamado filme de Boris Barnett, A Casa na Praça Trubnaia, onde os Mão Morta assumem uma original banda-sonora.
Já nas sessões especiais, a História do Cinema pelos olhos delirantes de Quentin Tarantino, Era Uma Vez em … Hollywood, e a antestreia da mais recente obras do filipino Billante Mendonza, que volta a debruçar-se pela teias criminosas e marginais de Manila em Alpha: Nos Bastidores da Corrupção.
A fortalecer a temática do Tempo, ainda temos o historial condensado num folhetim imagético em O Livro de Imagem, do sempre intemporal Jean-Luc Godard, ou do tempo enquanto dispositivo manipulável em John McEnroe: O Domínio da Perfeição, de Julien Faraut. A Lenda e o Contemporâneo do atual Cinema Francês, dois pontos de partida para uma das secções fundamentais desta anual mostra cinematográfica – Histórias de Cinema – que nos brinda com um Passeio pelo Cinema Francês com dois protagonistas: Agnès Varda e Jean-Luc Godard.

Aí, para além dos filmes da cineasta que apaixonou gerações pela sua criatividade e dinamismo e o realizador que continua a fomentar cinefilias, passearemos por alguns dos clássicos ante-Nouvelle Vague de uma das cinematografias mais fortes a nível internacional. Será o brilhante Olhos sem Face, de George Franju, ou a viagem pela metrópole americana em Dois Homens em Manhattan, de Melville, ainda as histórias trágicas e tragicómicas de Prazer, de Max Ophuls, e até mesmo um dos mais belos casamentos de imagem e música de Fim-de-Semana no Ascensor, de Louis Malle, a fazer as delicias dos amantes de cinema? A resposta é sim.
Já na também habitual Fantasia Lusitana, espaço dedicado aos ascendentes protagonistas do cinema português, conheceremos (ou revisitaremos) o trabalho de Eduardo Brito, realizador, argumentista e fotografo, descrito pelo seu olhar perfeccionista e dedicado aos enquadramentos. Aqui deparemos com uma seleção de curtas da sua autoria, incluindo a estreia de Úrsula, como também vídeos experimentais, videoclipes e ainda uma longa-metragem escrita pelo próprio com a realização de Rodrigo Areias – Hálito Azul.

O cinema terror também terá o seu tempo de antena, ao integrar o espaço de Cinema do Mundo, este ano centrado no género profundo (Mandy, A Feiticeira do Amor e Ele Vem à Noite, compõem o trio de sessões que explicita o terror e o medo na América). Além disso, o CLOSE-UP contará ainda com sessões dedicadas às escolas e de família, com as exibições de Toy Story 4 e O Rei Leão, como ainda tempo exclusivo para o legado de João César Monteiro, onde serão mostradas algumas das suas curtas como ainda lidas os seus poemas. Para a cadência das suas palavras, Isaque Ferreira será o responsável pela leitura.
Toda a programação poderá ser vista aqui.


