O Indielisboa revelou hoje em conferência de imprensa a programação completa da sua 16ª edição, que não é mais do que pequenos acrescentos ao já anteriormente anunciado.
O programa segue a linhagem das edições anteriores, novamente com foco no universo televisivo com a apresentação da série Sul, trabalhado por Ivo Ferreira, que por sua vez apresentará também a sua nova longa-metragem, Hotel Império, que entra em contexto com um olhar sobre o Cinema de Macau.
Obviamente que o grande destaque, para além do ciclo extenso em torno da lendária atriz Anna Karina em cumplicidade com a Cinemateca-Portuguesa, é a rúbrica Brasil em Transe, um título em homenagem à obra de Glauber Rocha e de outros cineastas brasileiros que fizeram frente a regimes graças à sua linguagem audiovisual. Porém, aqui não se trata de revisitar o passado, mas olhar para o presente para compreender a atualidade do nosso “país irmão”.

“O foco do Brasil em Transe é uma importante reflexão, não só interna“, referiu Joana Cardoso, presidente da EGEAC. O programa, que conta com o apoio da embaixada brasileira, é uma vénia à longa tradição da cinematografia brasileira na história do festival lisboeta, para além de um pedido de urgência para uma arte que poderá substanciar perante a precaridade imposta pelo atual governo. Para além dos esperados Divino Amor, de Gabriel Mascharo (Boi Neon), Querência de Helvêcio Marins Jr., o slasher A Noite Amarela, de Ramon Porto Mota, e A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, entram na lista as mais recentes obras de Petra Costa (Elena), Impeachment; de Affonso Uchôa (Arábia), Sete Anos em Maio; e a coprodução luso-brasileira Tragam-me a Cabeça de Carmen M., de Felipe Bragança e Catarina Wallenstein.
Nuno Sena, diretor e programador do Indielisboa, prometeu uma maior colaboração com as distribuidoras portuguesas para o seu programa, pelo que, segundo as suas palavras, “este cinema existe para além dos festivais“. Devido a isso, é inevitavel encontrar a abertura e encerramento com estreias programadas para circuito comercial. The Beach Bum, de Harmony Korine, e o vencedor do Urso de Ouro, Synonyms, de Nadav Lapid, respetivamente, tem as honras de abrir e fechar esta festa do cinema independente.
Pelo meio, 3 Faces, de Jafar Panahi, Burning, de Lee Chang-dong, e Leto, do dissidente russo Kirill Serebrennikov (integrado no Indiemusic), apresentados no último Festival de Cannes, prometem fazer as delícias dos espectadores.

Na Competição Internacional existe uma especial atenção a Lost Holiday, dos irmãos Matthews, estreado em Slamdance, e o regresso do realizador brasileiro André Novais Oliveira (Ela Volta na Quinta) com Temporada. Caroline Poggi e Jonathan Vinel, que serão as estrelas do Foco Silvestre, têm a sua hipotese de conquistar os altos galardões do certame com Jessica Forever.
Mesmo sendo o cinema independente a nivel global como motivo de celebração, é com o cinema português que se festeja no Indielisboa. Este ano não foge à excepção do alto contigente nacional. Na nossa competição espera-se ansiosamente pelo regresso de Margarida Gil ao formato de longa-metragem (Mar, em estreia absoluta) e Tiago Guedes com Tristeza e Alegria na Vida das Girafas. Na concorrência estarão os novos trabalhos de Ico Costa, Tiago Hespanha, Susana Sousa Dias e Catarina Ruivo, que já não viamos desde Em Segunda Mão (2012). Catarina Mourão, do dedicado Toca do Lobo, e Pedro Cabeleira, o mesmo do jovial Verão Danado, também integram a competição.
A 16.ª edição do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema decorre no Cinema São Jorge, Culturgest, Cinema Ideal e na Cinemateca Portuguesa entre os dias 2 a 12 de maio.

Toda a programação poderá ser vista aqui.

