Arranca hoje (13/05) o Festival de Cannes

(Fotos: Divulgação)

Começa hoje o Festival de Cannes, aquele que é sem qualquer dúvida o mais mediático do planeta.

Ao todo, e até ao próximo dia 24 de maio, muitos vão ser os nomes ligados ao cinema a passarem pelo sul de França, estando programada a presença de estrelas como Cate Blanchett, Matthew McConaughey, Michael Fassbender, Marion Cotillard, Colin Farrell, Benicio del Toro, Tom Hardy, Charlize Theron e Michael Caine.

A abrir o festival, já hoje, encontramos  La Tête haute, um drama da francesa Emmanuelle Bercot que representa o primeiro trabalho assinado por uma mulher a ter a honra de abertura desde 1987. Segundo Thierry Frémaux, diretor artístico do certame, «a escolha deste filme pode parecer surpreendente» mas «é um claro reflexo do nosso desejo de ver o Festival começar com um peça diferente, que é tão ousada como comovente».

Na fita, protagonizada por Catherine Deneuve, Benoît Magimel, Sara Forestier e Rod Paradot, seguimos a história de um delinquente juvenil, Malony, e o seu desenvolvimento da infância à idade adulta, sempre sobre o olhar dos assistentes sociais e de uma juiza de menores.


La Tête haute

Na competição principal, ao todo estão na corrida à famosa Palma de Ouro cerca de 19 obras. Caberá a um júri liderado pelos irmãos Ethan e Joel Coen a árdua tarefa de selecionar entre cineastas como Hou Hsiao-hsien, Todd Haynes, Jacques Audiard, Yorgos Lanthimos, Maiwenn, Jia Zhangke, Hirokazu Kore-eda, Gus Van Sant, Denis Villeneuve, Matteo Garrone e Paolo Sorrentino quem sucederá a Nuri Bilge Ceylan, que em 2014 ganhou a Palma de Ouro com o seu Sono de Inverno.

Fora de competição surgem os novos filmes de Woody Allen (Irrational Man) e George Miller, o qual está nas bocas do mundo após o seu regresso à franquia Mad Max estar coroada por um estranho consenso crítico, com o blockbuster a vir dos EUA com uns impressionantes 98% no Rotten Tomatoes e com muitas vozes europeias a se levantarem para apaixonadamente falar do filme.

A estreia da nova produção da Pixar, Inside Out, e a também versão animada de O Pequeno Príncipe vão dar certamente que falar, mas certamente não tanto como o explosivo Love, de Gaspar Noé, ou o polémico documentário Amy, sobre a falecida cantora Amy Winehouse.

Presença portuguesa


As Mil e uma Noites

As Mil e uma Noites, de Miguel Gomes, Provas, Exorcismos, de Susana Nobre, e Visita ou memórias e confissões, de Manoel de Oliveira, são os filmes que marcam a presença lusitana no Croisette.

Os dois primeiros estão inseridos na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela ao Festival onde poderemos encontrar ainda os mais recentes trabalhos de cineastas como Takashi Miike, Jeremy Saulnier, Jaco Van Dormael, Fernando León de Aranoa e Sharunas Bartas.

Não sendo uma adaptação do famoso livro de histórias de origem árabe, As Mil e uma Noites inspira-se na sua estrutura, fazendo a interligação com a realidade contemporânea portuguesa, em particular ao período de austeridade a que o país foi submetido. Os 3 volumes que compõem esta película – com os títulos O Inquieto, O Desolado e O Encantado – serão exibidos nos dias 16, 18 e 20 de maio, respetivamente.

Provas, Exorcismos, de Susana Nobre, que passou pelo último IndieLisboa, conta a história de um operário, Óscar Germano, que se vê confrontado com o encerramento da fábrica onde trabalhou durante 25 anos, em Alhandra, e que procura um novo emprego. Ao vermos a sua história e quotidiano, assistimos também ao drama dos seus colegas – que com ele procurarão refazer a vida.

Homenagens e Clássicos


Hitchcock/Truffaut

Com Costa-Gavras como convidado de honra, a secção Cannes Classics 2015 apresenta inúmeras homenagens, onde não escapa uma celebração cruzada de Ingrid Bergman e Orson Welles, a Ousmane Sembène, o “pai do cinema africano“, à Gaumont, a Manoel de Oliveira e aos os 120 anos do Cinematógrafo Lumière.

Nesta secção, não falta ainda uma obra que mostra François Truffaut a entrevistar Alfred Hitchcock, seguindo-se comentários de cineastas como David Fincher, Richard Linklater e Martin Scorsese.

Ainda no campo das homenagens, destaque para a belga Agnès Varda, de 86 anos, a qual receberá a Palma de Ouro de honra, sendo assim a primeira mulher a conquistar este troféu. Até agora, apenas Woody Allen, em 2002, Clint Eastwood, em 2009, e Bernardo Bertolucci, em 2011, receberam esta distinção, destinada a premiar cineastas de grande influência no cinema mundial sem nunca terem vencido qualquer Palma de Ouro.

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