
Foi hoje apresentada a programação do IndieLisboa, certame que realiza a sua 12ª edição de 23 de abril a 3 de maio e que vai decorrer no Cinema São Jorge, na Culturgest, na Cinemateca/Museu do Cinema e no Cinema Ideal.
Logo a destacar está a mudança de política na competição internacional, que agora passa a incluir cineastas que tenham até um máximo de 3 longas-metragens, ao contrário das edições anteriores, onde eram escolhidos filmes de realizadores em estreia ou apenas com duas obras no currículo. Essa mudança permitiu que alguns cineastas possam competir nesta secção, como o romeno Radu Jude, com o seu filme Aferim!, Alex Ross Perry, com Listen Up Philip, e Jean-Gabriel Périot, com Une Jeunesse Allemande.
A estes nomes já reconhecidos, juntam-se algumas outras já com diversos prémios na rota dos festivais, como o iraniano Melbourne, que já ganhou prémios em Estocolmo e no Cairo, Güeros, distinguido em Berlim, San Sebastián, Havana, Jerusalém e Nova Iorque [no Festival de Tribeca], e Sivas [prémios em Veneza e Antalya].
Cinema português em destaque

O combatente anti-comunista Capitão Falcão abre o festival, o qual nesta edição apresenta um leque variadíssimo de obras nacionais, algumas das quais de cineastas veteranos. Como exemplo temos dois documentários de João Botelho, A Arte da Luz tem 20 000 anos, um projeto descrito pelos programadores como «lindíssimo» e que nos faz redescobrir Foz Côa, e Nos Campos em Volta. O Medo à Espreita, de Marta Pessoa (sobre as memórias de cidadãos que viveram uma vida de perseguição pessoal e política durante o Estado Novo), A Casa das Mães, de Philippe Costantini (que filmou uma instituição que apoia mães adolescentes), Aqui, em Lisboa, o filme-encomenda do IndieLisboa a Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes e Marie Losier, e Rabo de Peixe – Director’s Cut, a versão remontada do documentário de Joaquim Pinto e Nuno Leonel cuja rodagem teve início em 1999, são outros filmes que merecem destaque.
Na competição nacional também houve mexidas, principalmente no facto de ser criada uma autonomia em relação a outras secções. Assim, longas e curtas-metragens terão um júri próprio, fortalecendo a presença dos filmes portugueses no festival, independentemente da sua duração. Os mais recentes projetos de Catarina Mourão (A Toca do Lobo), Margarida Leitão (Gipsofila), Susana Nobre (Provas, Exorcismos), Joao Pedro Rodrigues & João Rui Guerra da Mata (Iec Long), Filipa Reis & João Miller Guerra (Fora da Vida), Manuel Mozos (Cinzas e Brasas), Rita Macedo (This Particular Nowhere – Part I – Some of Wigner’s Friends), Tiago Rosa-Rosso (Despedida e Lei da Gravidade), Jorge Pelicano (The Last Analog Tree), André Ruivo (Campo à Beira Mar), André Santos e Marco Leão (Aula de Condução) e Jorge Cramez (O Rebocador) serão exibidos no festival
Olá Silvestre e Boca do Inferno
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Como já tínhamos noticiado, o festival estreia este ano duas novas secções, a Silvestre e a Boca do Inferno. Se a segunda é mais focada em cinema de género que estamos pouco habituados a ver no Indie, a primeira resulta de uma fusão da antigas secções Observatório, Cinema Emergente e Pulsar do Mundo.
Em foco especial nesta secção está Jan Soldat, sendo exibidas 12 das suas obras, entre longas e curtas. Filmes de Noah Baumbach (While We’re Young), Dominga Sotomayor (Mar), Alain Cavalier (Les Paradis), Ursula Meier (Kacey Mottet Klein, Naissance d’un acteur, Une petite leçon de cinéma), Ben Russel (Atlantis), Matthew Porterfield (Take What You Can Carry) e Alex Ross Perry (Queen of Earth) estão também presentes na Silvestre. Já na Boca do Inferno, e para além dos já anunciados The Duke of Burgundy, In the Basement e White Bird in a Blizzard, vamos encontrar HomeSick, de Jakob M. Erwa, When Animals Dream, de Jonas Alexander Arnby, e o surpreendente Goodnight Mommy, de Veronika Franz e Severin Fiala.
Música, Festas e outras atividades paralelas

Para além da programação habitual orientada para os mais novos na IndieJunior, para os amantes da música (IndieMusic) e do Herói Independente [ler artigo], o festival irá ainda apresentar diversos clássicos na sua secção Director’s Cut de cineastas tão distintos como John Hughes, Manoel de Oliveira, Joaquim Pinto e Nuno Leonel, Rainer Werner Fassbinder, e Ulrich Seidl. O cinema de série Z turco é outro dos focos.
As LisbonTalks, os ateliês da IndieJúnior, os Lisbon Screenings, diversas festas e concertos (IndieByNight) são outras atividades que acompanham esta 12ª edição do festival.
Podem consultar o programa aqui.

