
Jafar Panahi trouxe o seu Taxi [ler crítica] a Berlim e acabou por vencer o Urso de Ouro na 65ª edição, celebrado num momento emocionante quando a sobrinha do realizador recebeu o galardão. Taxi acumulou ainda o prémio da crítica internacional (FIPRESCI).
Já o explosivo El Club [ler crítica], do chileno Pablo Larraín, arrebatou o Prémio do Júri. Charlotte Rampling e Tom Courtenay foram o par romântico e sem idade do festival; os verdadeiros ‘Valentine’ da Berlinale, em 45 Years [ler crítica], de Andrew Haigh. Já agora, até aqui, tudo sem surpresas, acrescente-se.
Na verdade, era já antecipado o prémio para o realizador iraniano que contra o regime opressivo de Teerão, a cumprir uma pesada sentença de 20 anos sem filmar, para além de prisão domiciliária. O que não o impediu de contornar o seu destino e seguir o impulso cinematográfico com Isto Não é um Filme (2011), o filme feito em casa com um iPhone, e Closed Curtain – Pardé (2013), com a sua morada transformada num cenário de todas as ficções. De resto, todos os filmes apresentados em Berlim, tal como Offside – Fora de Jogo (2006), sobre a luta das adeptas iranianas sistematicamente proibidas de ver jogos de futebol, e ele próprio convidado para ser Presidente do Júri, de cadeira vazia, em 2011.

Taxi
Agora dispensado de permanecer em casa, usa o diálogo entre o documentário e a ficção para se fazer passar por um condutor de táxi que transporta diversos passageiros que vão avaliando o pulso da sociedade iraniana.
Percebe-se também a opção do Prémio do Júri para o dedo apontado aos crimes da igreja católica, em El Club, de Pablo Larraín. Ele sim, a filmar com toda a liberdade a realidade daquele “clube” de sacerdotes acusados e desterrados, mas que transformam a sua penitência em sessões de corridas de cães com algum álcool à mistura. Tal como Pahani, o olhar é cínico e atento. Um mais cauteloso, outro mais avassalador.
O romance de Charlotte Rampling e Tom Courtenay em 45 Years, de Andrew Haigh, ficou-nos na retina desde que foi exibido logo no início do festival. E a sua consagração apenas confirma toda a sua classe ao dar corpo a um sinal abalo de uma relação afetiva de quase meio século que oscila após ser infetada pela intromissão da descoberta do corpo de uma antiga namorada do marido. Ao permitirem-nos viver esse momento, esse duo mostrou-nos um dos maiores momentos desta Berlinale.
Os restantes prémios celebraram o trabalho de realização de Radu Jude (Aferim) em ex-aequo com Malgorzata Szumowska (Body). Já o melhor guião foi para a excelente narrativa do documentário El Botón de Nacár [ler crítica], do outro chileno Patricio Guzmán.
Prémios do Júri Internacional
Urso de Ouro (Melhor Filme): Taxi
Urso de Prata (Grande Prémio do Júri): El Club
Prémio Alfred Bauer: Ixcanul
Melhor Realizador: Radu Jude, por Aferim! ; Małgorzata Szumowska, por Body
Melhor Atriz: Charlotte Rampling em 45 Years
Melhor Ator: Tom Courtenay em 45 Years
Melhor Argumento: Patricio Guzmán, por El botón de nácar
Melhor Contribuição Artística: Sebastian Schipper, por Victoria; Evgeniy Privin e Sergey Mikhalchuk por Pod electricheskimi oblakami (Under Electric Clouds)
Melhor Primeiro Filme: 600 Millas, por Gabriel Ripstein
Urso de Ouro (Melhor Curta-Metragem): Hosanna, de Na Young-kil
Urso de Prata (Prémio do Júri – Curta Metragem): Bad at Dancing, de Joanna Arnow

