
Arranca amanhã dia 16 de Janeiro, sexta-feira, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa, a 3ª edição de Cinema Bioscoop – Festival de Cinema em Língua Neerlandesa, que tem o intuito de apresentar uma variada cinematográfica dos países baixos, nomeadamente a Holanda, e Bélgica. Nesta edição, a mais ambiciosa até à data, reunirá mais de 24 obras cinematográficas, incluindo ficções e documentais, curtas a longas-metragens. É também nesta terceira mostra que serão apresentados um maior número de primeiras obras, dando a conhecer futuros cineasta, não só do cinema “neerlandês”, mas como também internacionalmente.
Dentro da programação destaca-se a obra de abertura, Matterhorn (consagrado em 2013 com o prémio de Público do Festival Internacional de Cinema de Roterdão e no Festival Internacional de Cinema de Moscovo), a primeira longa-metragem de Diederik Ebbinge que nos remete à história de um homem solitário, detentor de um organizado quotidiano. Porém tal irá drasticamente mudar após o encontro com um sujeito bastante peculiar. No dia seguinte surge-nos Violet, escrito e dirigido pelo jovem flamengo Bas Devos, outra obra consagrada, desta vez com o Prémio Generation Plus na passada edição do Festival de Cinema de Berlim, um retrato intimista da relação dos adolescentes com a dor e a perda. Como sessão de encerramento, Até Sempre (Tot Altijd), de Nic Balthazar, a luta de um jovem belga pelo direito da eutanásia.
Na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema, serão organizados homenagens a dois consagrados realizadores da cinematografia neerlandesa. O documentarista Bert Haanstra (1916 – 1997) é a figura destaque, o qual serão exibidos cinco obras da sua autoria, incluindo O Homem Comum (Alleman), que esteve nomeado para o Óscar de Melhor Documentário. O ator e realizador Bert Hana estará presente para contribuir na homenagem ao desaparecido cineasta, apresentando #Alleman, um filme da sua autoria, que por sua vez funciona como tributo ao consagrado e homónimo documentário de Haanstra, recorrendo a imagens do Google Street View. Kees Hinn, um dos mais produtivos realizadores neerlandeses, também será fruto de homenagem, para além de estar presente durante o ciclo proposto pelo Cinema Bioscoop, também ele realizado na Cinemateca.
Os cineastas belgas, Wouter Bouvijn e Wannes Destoop também marcarão presença no Festival, estando integrados na mesa-redonda, “Curta, longa, documentário, ficção”, moderado pela realizadora radicada em Amsterdão, Catarina Neves Ricci. Ainda podemos contar com palestras sobre língua e literatura, por David Bracke e Nout Van Den Neste, respectivamente, a já mencionada mesa-redonda, intervenções pelos artistas plásticos Cristina Guerreiro e Burry Buermans, tudo decorrido no espaço do Cinema São Jorge e por fim na Cinemateca-Portuguesa, uma exposição de fotografia da autoria de José Manuel Rodrigues (Prémio Pessoa 1999).
Em associação com a MUBi (Associação para a Mobilidade Urbana em Bicicleta), o Festival oferecerá também atividades ligadas à utilização da bicicleta, apelando aos espectadores para que façam uso deste meio de transporte para virem ao cinema, durante os três dias desta mostra cinematográfica dos países de língua neerlandesa.

