Obra dos irmãos Safdie vence Festival Internacional de Tóquio

(Fotos: Divulgação)

Heaven Knows What, de Joshua e Benny Safdie, venceu a 27ª edição do TIFF, ao passo que Takeshi Kitano e Tim Burton (foto abaixo) receberam os Samurai Awards. A obra dos norte-americanos, presente na programação da próxima edição do Lisbon & Estoril Film Festival, narra uma história dark que envolve pactos suicidas e adicção à heroína. 

À Oriente tudo de novo

Era uma vez no Extremo Oriente… um festival de cinema de que se posiciona cada vez mais como uma crescente alternativa aos festivais de cinema do Oriente e um formidável ponto de cruzamento de culturas. A experiência que se desenrolou entre os dias 23 e 31 de Outubro, na movimentada e cosmopolita zona de Roppongi Hills, em Tóquio, primou pela sua insuperável organização e superou em muito o que se espera de uma mera montra de cinema, abrindo laços para uma franca troca de ideias e múltiplos pontos de vista.

Apesar de alguma sombra que ainda recebe de Pusan, nota-se já no TIFF um rumo capaz de lhe granjear a notoriedade que reivindica e merece. Um dos sinais mais evidentes parece ter sido dado pela inovação dos Samurai Awards, um galardão honorífico pela primeira vez entregue aos cineastas Takeshi Kitano e Tim Burton, ambos presentes no festival. Isto para além de uma crescente relevância em redor da manga/anime, como teve ocasião de referir na entrevista ao C7nema o próprio diretor geral do certame Yasushi Shiina.

Eu não queria receber o prémio“, começou por referir Kitano, durante a cerimónia, “mas quando soube que o Tim Burton vinha já não senti tão envergonhado“, explicou. Tim Burton agradeceu o convite elogiando o Japão que considera “um dos meus países favoritos. Por isso foi uma honra estar aqui, juntamente com o Takeshi Kitano“.

Mas é claro que nem só de filmes e prémios viveu o TIFF. Pois seria impossível não referir a irresistível exploração da incrível metrópole, plena de ofertas multivariadas que se espraia ao longo dos seus vários distritos: Shubuya, Shinjuko, Minato, Meguro…. Por todo o lado é o deslumbramento arquitectónico, que funde o futurista com o histórico, a sedução plena da culinária que nos aponta sabores novos e requintados. Aliás, não é por acaso que a capital japonesa alberga o maior números de restaurantes com três estrelas Michelin. 

Mas também o desafio da comunicação da maior zona populosa do mundo, a rondar os 40 milhões de habitantes, mas onde se nota uma extrema ordem e civismo. Só que reserva também todo o tipo de alternativas ao conformismo, pois permite-nos descobrir uma cultura aberta a todo o tipo de experiências, das mais convencionais às mais aberrantes. E só mesmo percebendo a amálgama de tudo isto é que poderemos começar a compreender o que é Tóquio.

Os premiados

Quanto à premiação, Heaven Knows What, da dupla de realizadores americanos Joshua e Benny Safdie foi o eleito pelo júri dirigido por James Gunn foi para. Trata-se de um filme que embarca numa profunda e realista viagem ao fundo do amor e da droga na urbe de Nova Iorque, tomando o ponto de vista de Arielle Holmes que aqui encena a sua própria história de dependência de heroína em Nova Iorque. Presente na cerimónia, Arielle reconheceu que “não passava de uma sem abrigo em Nova Iorque” quando conheceu Joshua. A dupla de realizadores acabaria também de ver reconhecido o seu trabalho ao receber o prémio de melhor realização.

The Lesson, a co-produção entre a Grécia e a Bulgária assinada por outra dupla, Kristina Grozeva e Petar Valchanov, saiu de Tóquio com o Prémio Especial do Júri que distinguiu um conto moral realista ambientado numa pequena localidade onde uma professora lida com o infortúnio doméstico provocado pelas dívidas do marido ao mesmo tempo que procura encontrar o autor de um roubo na sua escola.

No capítulo interpretativo, a distinção destacou o trabalho e a fragilidade da atriz Rie Miyazawa, evidenciadas em Pale Moon, ao passo que o galardão masculino seria atribuído ao polaco Robert Wieckiewicz, em The Mighty Angel, no papel de um alcoólico desumanizado.

Um dos outros grandes vencedores da noite foi também o filme russo Test arrebatando a Melhor Contribuição Artística e ainda o prémio do canal de tv WOWOW, pela primeira vez a servir de patrocinador de um prémio, desta feira com uma distinção atribuída pelo público. Uma singular história entre uma jovem e o seu pai que acaba por impossibilitar o amor que dois jovens nutrem por ela, com a particularidade de não incluir diálogos e ser servido por uma irrepreensível design artístico na região de campo aberto nas planícies do Cazaquistão.

Quanto aos prémios da secção Asian Future saíram distinguidos The Last Reel, de Sotho Kulikar, premiado com o prémio The Spirit of Asia, atribuído pela Japan Foundation Asian Center, e o Best Asian Future Film Award foi entregue a Borderless, do iraniano Amirhossein Asgari. Por fim, a secção Cinema Splash, dedicada ao novo cinema independente japonês, premiou 100 Yen Love, de Masaharu Take.

Palmarés 27º Festival Internacional de Tóquio

Tokyo Grand Prix -“Heaven Knows What”, de Joshua Safdie e Benny Safdie

Prémio Especial do Júri – “The Lesson”, Kristina Grozeva, Petar Valchanov

Melhor Realizador – Joshua Safdie, Benny Safdie – “Heaven Knows What”

Melhor Atriz – Rie Miyazawa – “Pale Moon”

Melhor Ator – Robert Więckiewicz – “The Mighty Angel”

Melhor Contribuição Artística – “Test”

Prémio do Público – “Pale Moon”

Prémio WOWOW Viewer’s Choice – “Test”

Best Asian Future Film – “Borderless”

Prémio The Spirit of Asia Award pela Japan Foundation Asia Center – Sotho Kulikar – “The Last Reel”

Japanese Film Splash, Melhor Filme – “100 Yen Love”

Japanese Film Splash, Menção Especial – “Ecotherapy Getaway Holiday”

Prémio SAMURAI – Takeshi Kitano - Tim Burton

 

 

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