Cannes: Filmes de André Téchiné, Kornél Mundruczó e Tony Gatlif são adicionados à programação

(Fotos: Divulgação)

Os novos filmes de André Téchiné, Kornél Mundruczó e Tony Gatlif foram adicionados à seleção oficial do Festival de Cannes. Com eles surgem também obras de Laurent Bécue-Renard, Adilkhan Yerzhanov e Pablo Fendrik.

Apresentado fora de competição, L’Homme qu’on aimait trop é a 20ª longa metragem de André Téchiné, realizador de filmes como Os Juncos Silvestres e Imperdoáveis, e aborda uma das histórias criminais mais famosas em França: o caso Agnés Le Roux, uma mulher desaparecida em circunstâncias bizarras e suspeitas há mais de 35 anos.

O caso remonta a 1977 e envolve a família Le Roux – proprietária do casino Palais de la Mediterranée, gerido desde a morte do pai de Agnés pela mãe, Renée. Afastada da mãe por desavenças pessoais, Agnés fez então um negócio com Jean-Dominique Fratoni, também ele um empresário ligado ao mundo do jogo. Com isso, Agnés ganhou três milhões de francos franceses e é aqui que entra em jogo Jean-Maurice Agnelet, um advogado que se tornou amante da herdeira e que abriu com ela uma conta conjunta (onde foi depositado o dinheiro). A verdade é que a certa altura, Agnés desapareceu sem deixar rasto e passados três meses, Agnelet transferiu os três milhões de francos da conta conjunta para uma conta particular. Logo depois, o advogado foi acusado do desaparecimento de Agnés, contribuindo em grande escala a denuncia executada pela sua esposa, que confessou que tinha inicialmente mentido quando lhe deu um álibi para o dia em que Agnés desapareceu. E apesar de Agnelet estar preso desde 2007, continua a insistir na sua inocência. O facto de nunca se ter encontrado o corpo ou sequer o carro da desaparecida, sempre deram espaço à imaginação e ao clima de mistério.

Para transpor este caso para o cinema, Techiné chamou Catherine Deneuve, que irá desempenhar o papel de Renée, Guillaume Canet na pele de Agnelet, cabendo a Adèle Haenel no papel da desaparecida.

Un Certain Regard

Fehér Isten (White God) é o novo projeto do húngaro Kornél Mundruczó, que depois de Johanna (2005), Delta (2008) e Tender Son: The Frankenstein Project (2010) regressa a Cannes e à secção Un Certain Regard. No filme seguimos as desventuras de uma menina e do seu melhor amigo, um cão, num mundo de vencedores e perdedores, um mundo em que o pedigree é um factor decisivo.

Sessões Especiais

Para além do documentário Des Hommes et de la guerre, de Laurent Bécue-Renard, e de The Owners, de Adilkhan Yerzhanov, vão surgir ainda no programa do Festival de Cannes os novos filmes de Tony Gatlif e Pablo Fendrik. O primeiro, um habitué em Cannes, leva ao certame Geronimo, um filme sobre o conflito entre dois clãs – provocado pela fuga de uma adolescente de origem turca a um casamento arranjado.  Céline Sallette, Rachid Yous e David Murgia fazem parte do elenco.

El Ardor de Pablo Fendrik, é protagonizado por Gael Garcia Bernal, um dos júris da competição à Palma de Ouro. Ainda com Alice Braga no elenco, em El Ardor seguimos um xamã (Bernal) e a filha do proprietário de uma modesta plantação de tabaco, que é sequestrada por um grupo que assassinou o seu pai. «É uma história de vingança mas também uma luta entre o homem e a natureza num ambiente cada vez mais destruído pela desflorestação», afirmou Fendrik há uns meses atrás sobre o projeto.

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