18º CinePE – de 26 de abril a 2 de maio
O festival de cinema de Recife, o CinePE, cumpre a sua maturidade ao celebrar este ano a sua XVIII edição, abrindo finalmente os braços à internacionalização, cumprindo assim o desejo dos seus fundadores, Sandra e Alfredo Bertini. Segundo o diretor, a ideia era “começar com cautela“, procurando com o tempo “alcançar novos mercados”.
Um crescimento apoiado na qualidade e adesão do público parece ser a sua bandeira. Segundo o crítico e curador do festival, Rodrigo Fonseca, o Cine PE é o “Maracanã dos festivais”, razão pela qual “é importante apresentarmos títulos que primam pelo requinte estético mas que não afastem essa multidão de público, que é a grande força do evento“.
Quanto à programação competitiva encontra-se dividida por diferentes mostras: desde logo com algum destaque para a produção local, dada pela Mostra Pernambuco, mas também a Mostra Curta Brasil, ambas dedicadas ao formato de curta; o Doc Cine PE, com documentários brasileiros e internacionais, e a Mostra Internacional de Cinema do Recife. Já à seção internacional, inclui filmes de Itália, Anni Felici, de Daniele Luchetti, Argentina, com Todos Tenemos Um Plan, de Ana Piterbarg, para além da representação portuguesa, com os documentários 1960, de Rodrigo Areias, e E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto. Os EUA fazem-se representar com The Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson.
Mas será nas curtas brasileiras, com uma forte presença do cinema local, que procuraremos descobrir mais do novo cinema pernambucano que tem acrescentado notas altas ao cinema brasileiro. E não falamos apenas de Kléber Mendonça Filho, colega jornalista de vários festivais que se rendeu à realização, com o absorvente O Som ao Redor. Pernambuco é também a origem de Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e o magnífico O Homem das Multidões, exibido este ano na secção Panorama do festival de Berlim), entre muitos outros.
O CinePE homenageará ainda a carreira do ator, realizador, escritor, produtor e crítico José Wilker, com 41 filmes no seu currículo, alguns deles referências do cinema brasileiro, como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto. De salientar que o ator de 68 anos era uma presença confirmada no festival, recebendo agora uma homenagem póstuma após a trágica ocorrência. Um outro ponto alto será a comemoração dos 50 anos do filme de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol, um marco do Cinema Novo, lançado em 1964, pouco antes do golpe militar, e que pouco depois estaria presente da Seleção Oficial do Festival de Cannes. O galardão seria apresentado à mãe de Glauber, D. Lúcia Rocha, que veio a falecer, sendo apresentado em alternativa aos filhos de Glauber. A veterana atriz Laura Cardoso, de 85 anos, com uma longa carreira de com 29 filmes, será igualmente homenageada durante o certame.
Para mais detalhes visitar: http://cine-pe.com.br/pt/

