Começa esta quinta-feira (06/03) e decorre durante quatro dias, em Lisboa, a Festa de Antropologia, Cinema e Arte (Faca). Organizada por um coletivo de antropólogos, o evento vai reunir uma mostra de cinema, de artes e performances.
No caso do cinema serão exibidos, entre curtas, médias e longas-metragens, 21 filmes, todos em língua portuguesa. As sessões decorrerão na Cinemateca e em dois espaços no Bairro Alto (Galeria Zé dos Bois e Arquivo 237). Entre os médias e longas, destaque para alguns dos projetos inseridos na programação:
Filmes em Exibição
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Meu Pescador Meu Velho, de Amaya Sumpsi, obra vencedora da competição portuguesa da última edição do Cine’Eco, aborda as repercussões de uma disputa entre os habitantes de uma remota ilha açoriana. Depois do porto local ser destruído por uma tempestade, os pescadores querem construir um novo abrigo para as suas embarcações, mas enfrentam a oposição de muitos habitantes da ilha que vêm naquele monte de ruínas um símbolo de identidade da ilha.
- Paisagem Carioca, de Marco António Pereira. Documentário que acompanha o processo de transformação das favelas do Rio de Janeiro depois do processo de pacificação que seguiu-se à atribuição do título de “Património Mundial como Paisagem Cultural” pela Unesco. Neste quotidiano, um grande número de grupos sociais distintos misturam-se e se interrelacionam.
- Fado Tropical, de Catarina Faria. A obra reconstrói a trajetória deste estilo muito lusitano em terras brasileiras, abordando desde uma geração de portugueses que construiu carreiras musicais nos trópicos até uma nova legião de músicos e compositores – com ou sem ascendência portuguesa.
- Tão Perto do Silêncio, de Arlindo Horta. Um grupo de teatro composto inteiramente por refugiados que aguardam resolução para o seu pedido de asilo em Portugal. Memórias e relatos dos seus êxodos forçados são alguns dos temas que surgem na abordagem.
- Amanhecer a Andar, de Sílvia Firmino. Diversos personagens, testemunhando as mais diversas experiências de vida, se cruzam neste retrato da vida quotidiana em Moçambique.
- A Batalha do Passinho, Emílio Domingos. Outro olhar sobre as favelas do Rio de Janeiro, desta vez através de um inovador estilo de dançar funk surgido na cidade por volta de 2001. Beneficiário de um impressionante apoio popular, o chamado “passinho” assumiu contornos de uma nova forma de identidade dos jovens da favela.
- Pabia Di Aos, de Catarina Laranjeiro. A reconstrução das diversas memórias dos sobreviventes da guerra da Guiné-Bissau, 40 anos após a sua extinção. A obra reúne discursos tanto daqueles que lutaram nos movimentos de libertação quanto daqueles que estiveram ao lado dos exércitos coloniais.

