Arranca hoje a Cinefiesta. Luís Buñuel e Álex de la Iglesia em destaque

(Fotos: Divulgação)

O evento dedicado ao cinema espanhol arranca hoje (23/11) no cinema São Jorge e na Cinemateca, em Lisboa, e estende-se até dia 26. O filme de abertura será Las brujas de Zugarramurdi, o mais recente trabalho de um dos mais importantes realizadores espanhóis da atualidade, Alex de La Iglesia. Apontado no país vizinho como um retorno do realizador ao estilo de duas de suas obras mais famosas, O Dia da Besta e A Comunidade, para já leva o título de trailer mais alucinado do ano (ver no fundo da página). No ano passado, Iglesia compareceu no Cinefiesta com La Chispa de la Vida, que permanece inédito no circuito comercial português.

Já um dos grandes mestres da história do cinema, Luís Buñuel, terá três de seus trabalhos, exibidos na Cinemateca. O primeiro deles é L’Age d’Or, de 1930, segunda colaboração do realizador com o mestre da pintura surrealista, Salvador Dali, depois da estreia com Un chien andalou, filme que havia causado impacte dois anos antes. Um dos primeiros filmes falados do cinema francês, a obra causou escândalo na altura pela abordagem pouco simpática (para dizer o mínimo) da burguesia, que seria sempre o ódio de estimação do cineasta. Ao mesmo tempo que alcançou sucesso popular, teve uma das sessões atacadas por membros da extrema-direita, em Paris. A parceria com Dali também terminou no meio das filmagens. Outra curiosidade é a de que Buñuel, que ainda desconhecia os procedimentos das filmagens, filmou tudo em ordem cronológica!

Nazarin é uma adaptação, lançada em 1959, da obra de um dos mestres da literatura realista espanhola, Perez Galdós. Produzida no México, onde o cineasta vivia há décadas fugindo da ditadura de Franco, o filme contava a história do padre Nazarin, um homem honesto inadvertidamente acusado de um crime. A obra serve para outra das picardias favoritas de Buñuel, a igreja católica. Na segunda metade, por exemplo, Nazarin mostra cenas com várias semelhanças com a vida de Cristo. Venceu um prémio no Festival de Cannes.

Tristana, com Catherine Deneuve e Franco Nero nos papéis principais é, novamente, uma adaptação de Galdós. O filme narra a história de uma órfã criada por um tio que, quando está já tem 19 anos, apaixona-se por ela. Projeto que marcou o retorno de Buñuel à Espanha depois de décadas de exílio no México. Mas tampouco aqui ele escapava da censura – e só conseguiu ter o seu projeto aprovado oito anos depois de ter escrito o primeiro argumento. Para além de questões políticas, a vida de um ateu numa Espanha dominada pela Opus Dei desde 1957 não era propriamente fácil… O filme teve excelente repercussão: passou pelo Festival de Cannes e foi nomeado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Cinema comercial espanhol

Os demais títulos abrangem filmes mais próximos do cinema comercial do país vizinho. Eventualmente o mais promissor, uma animação ao estilo da Pixar, Futbolin, é mais argentino que espanhol. Realizado por um dos grandes nomes do cinema do país sul-americano, Juan José Campanella (de O Segredo dos Teus Olhos), teve a terceira maior receita do ano por lá e narra uma aventura em torno do popularíssimo jogo dos matraquilhos.

A programação trás ainda a comédia à americana Tres Bodas de Más, ainda inédito no seu país, o infantil Zipe e Zape e o Clube do Berlinde, o filme de ação Combustión, que já foi chamado de “Velocidade Furiosa” hispânico e, na sessão de encerramento, outra comédia – La Grande Família Espanhola. Os quatro filmes que já foram lançados no país vizinho (estes três últimos mais o de abertura) foram sucessos de bilheteira.

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