
Quarta-feira, 3 de Março. 23h30
Grande Auditório do Teatro Rivoli
Uma noite as duas amigas vão a um concerto, num bar remoto, de uma pequena banda rock chamada Low Shoulder (myspace falso: http://www.myspace.com/503724068) liderados por Nikolai (Adam Brody de “The OC”).
O concerto é violentamente interrompido por um incêndio e, no meio da confusão, Jennifer acaba por aceder fugir com Nikolai e os demais dos membros da banda. Ela é levada para um local remoto onde é morta como parte de um macabro ritual – que os rockeiros esperavam que mudasse a sua sorte.
Jennifer é deixada como morta… mas horas depois reaparece na casa de Needy. A sua amiga nota que ela está muito estranha e as suas suspeitas de que algo errado se passa agravam-se quando os rapazes do liceu começam a aparecer violentamente assassinados.
“Jennifer’s Body” (título inspirado numa música das Hole) é um filme de um género sempre complicado: a comédia de terror. Complicado acima de tudo na hora de encontrar público: o filme teve uma ‘performance’ fraca no box office (33 milhões nos EUA) e a crítica dividiu-se na hora de o julgar (47% no indicador Rotten Tomatoes). A verdade é que este género híbrido oscila mais do que outros nos gostos do espectador, pois a combinação de comédia e de terror será sempre difícil de dosear de forma universal. E “Jennifer’s Body” tem vindo a ganhar em DVD um status de filme de culto – e as opiniões negativas de Setembro passado já começam a dar lugar a apreciações muito positivas no seio da comunidade do cinema fantástico.
O filme vem escrito pela argumentista ‘vedeta’ Diablo Cody (vencedora do oscar por “Juno”), produzido por Jason Reitman (“Up in the Air” e “Juno”) e realizado pela Karyn Kusama (do aclamado “Girlfight” e do detestado “Aeon Flux), e tem a ambição de fazer um filme de terror onde os homens são as vítimas e as mulheres as predadoras. Tudo isto apresentado nas linhas juvenis de séries como “The OC: Na Terra dos Ricos” (neste ponto, a presença de Adam Brody não é acidental).
Esta comédia de terror é, sem dúvida, um dos pontos altos do cinema fantástico de 2009. Tal como em “Juno”, Cody injecta uma forte dose de diálogos mordazes e referências a cultura popular no argumento (lembrando o trabalho de Kevin Williamson em “Scream” e, acima de tudo, em “The Faculty”, de Robert Rodriguez) que sai muito beneficiado por um excelente elenco. Amanda Seyfried (do sofrível “Mamma Mia”) tem o carisma e a expressividade necessárias para a heroína inocente “Anita”, enquanto Megan Fox mostra ser bem mais que um ícone “sexy” numa Jennifer que oscila entre “cheerleader” tonta, monstra devoradora de homens e (a versão mais surpreendente) “zombie” decrépita (para a qual a actriz se escondeu do sol durante meses, de forma a ficar pálida, o que a levou a perder as pestanas).
Mantendo sempre um tom ligeiro e juvenil, “Jennifer’s Body” conta com um bom equilíbrio de comédia e sustos, estes últimos auxiliados pelo fantástico trabalho de efeitos de maquilhagem pela mítica KNB EFX (gurus do “gore” de Hollywood desde os anos 80) e um competente mas contido volume de efeitos digitais. Kusama impõe um bom ritmo ao filme e o relato está bem auxiliado por apontamentos cómicos de personagens secundárias como o “rocker” vendido de Adam Brody ou o sempre impecável J.K. Simmons (“Spiderman”, “Juno”, “Up in the Air”).
Apesar da sua sólida estrutura criativa, o filme acabar por colapsar no seu último terço. O argumento de Diablo Cody estende-se em algumas explicações desnecessárias e culmina num “clímax” final ineficaz, prejudicado por algumas incoerências narrativas na hora de o criar (refiro-me a “como” ele acontece e “onde” ele acontece – ambos não fazem sentido). Inclusive em tom, a confrontação final não está bem alinhada com o estilo do resto do filme.
No entanto nos apontamentos finais o filme recupera o ritmo, e a nota final com que a personagem de “Needy” nos deixa confirma “Jennifer’s Body” como uma astuta e eficaz comédia de terror, que irá deliciar os fãs do cinema fantástico mais divertido.
O melhor: Megan Fox e Amanda Seyfried reinventam bem o tradicional relacionamento “cheerleader/nerd” e o argumento de Diablo Cody tem inteligência e humor suficientes para manter o filme divertido e interessante.
O pior: Diablo Cody não sabe criar um “clímax” final para um filme destes… e cria-o com enormes incoerências.
Mais info. sobre o filme no c7nema:
Trailer
Imagens promocionais
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| “Jennifer’s Body” é uma comédia de terror cheia de talento, desde a guionista de “Juno” e um elenco profissional liderado pela explosiva Megan Fox. No entanto, o filme perde o seu rumo e termina a um ritmo muito inferior ao que havia começado…..8/10 |
José Pedro Lopes

