Criticas do Fantasporto: ‘Dolan’s Cadillac’ por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Robinson (Wes Bentley de “American Beauty”) planeia vingar a sua esposa (Emmanuelle Vaugier) assassinada quando esperava testemunhar contra o notório e intocável mafioso de Las Vegas, Jimmy Dolan (Christian Slater), que se desloca pelo deserto Mojave no seu indestrutível Cadillac.

Dolan é um criminoso do pior que “quando sorri os pássaros caem mortos das linhas telefónicas”. Ele tem um negócio de tráfico de mulheres que lhe anda a dar cabo do juízo por motivos de logística: com a subida do preço da gasolina já não compensa traficar mulheres de “má qualidade”, pois o preço por volume de transporte não lhe cobre a margem.

“Dolan’s Cadillac” adapta um conto de Stephen King publicado em 1993 na popular colectânea “Nightmares and Dreamscapes” e é uma história com vários apontados curiosos, como o autor do Maine já nos habitou quando não está a escrever dentro da área do fantástico.

O plano que Robinson inventa para aniquilar Dolan é brilhante e o filme concretiza-o muito bem. Tal como a personagem de Dolan é mordazmente desenvolvida, um gangster com excessivas preocupações de logística que até se arrepende e nem é mau rapaz. A solução final para os seus problemas de custo / transporte de mulheres é dos momentos mais divertidos do filme.

Apesar destas boas ideias, “Dolan” é um conto mais adequado a um formato “Masters of Horror” (médias-metragens de 40 minutos feitas para televisão) do que cinema, e o trabalho de realização “sem sal” de Jeff Beesley (que tem um vasto currículo de TV) apenas agrava este problema. Os primeiros 30 minutos do filme são profundamente desinteressantes e o filme beneficiaria em começar já na longa confrontação final e recorrer a “flashbacks”.

Nos actores, destaque positivo para Christian Slater como Dolan – ainda bem longe da forma de outros tempos, o protagonista de “True Romance” agarra bem as dualidades deste gangster economicista. Por outro lado, destaque negativo para Wes Bentley (“American Beauty”) que não tem qualquer tipo de carisma e parecer só ter um tipo de expressão: intrigado.

O filme surpreende também pelo bom trabalho dos actores secundários como Aidan Devine (“Queer as Folk”), Greg Bryk (“Saw V”) e acima de tudo Eugene Clark (para os fãs do fantástico, e foi o zombie-líder de “Land of the Dead” de George A. Romero).

O Melhor: Christian Slater como Dolan e a pequena aparição de Eugene Clark.
O Pior: A primeira metade do filme, sem interesse.

Base
Uma boa adaptação de um conto de Stephen King, com um vilão curioso e um plano de vingança bem imaginado mas que não tem narrativa para mais do que 30 minutos….6/10

 
José Pedro Lopes

 

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