“La Horde” lança os espectadores nos subúrbios de Paris. Um prédio decadente é o esconderijo de um bando de mafiosos. Quatro polícias desejosos de vingança pela morte de um colega, decidem fazer justiça pelas próprias mãos. Nos escuros e labirínticos corredores inicia-se um jogo sangrento de perseguição. Mas presas e predadores vão confrontar-se com uma nova ameaça. Uma horda de zombies sedenta de sangue invade o edificio. A caça selvagem vai começar…
Os jovens realizadores Yannick Dahan e Benjamim Rocher estiveram presentes no Fantasporto para apresentar o filme. Num estilo descontraído, ao estilo bem francês, eles apresentaram o filme num inglês tétrico e cómico: “Action fun movie for the audience. This movie was made for you!” (um filme de acção divertido para o público. Este filme foi feito para vocês).
O que temos é um filme de acção onde um grupo de polícias tem de se unir a um grupo de gangsters para fazer frente a uma manada de zombies rápidos e fortes que conquistaram a cidade. Apesar de alguns apontamentos de terror e de comédia, “La Horde” é um filme maioritariamente de acção, com heróis musculados a espancarem as criaturas antes de as explodiram com as suas caçadeiras.
A inspiração aqui parece vir mais do cinema de Quentin Tarantino do que propriamente dos clássicos “zombie” de George A. Romero ou dos contemporâneos ingleses (“28 Days Later”, “Shaun of the Dead”). O filme mais próximo de “La Horde” é provavelmente “From Dusk Till Dawn” que Tarantino produziu junto com Robert Rodriguez, ou seja, temos um filme de gangsters “normal” que vira uma luta contra criaturas paranormais.
Tal como os jovens realizadores prometeram, a diversão é muita. O filme tem algumas gargalhadas e muitos bons momentos de acção. No entanto, a ambição é um pouco reduzida. Quando os monstros entram em cena, “La Horde” quase nunca vai além da sua premissa de acção e os cenários criados são já lugares comuns (o humano que se suicida para não ser zombie, o que se sacrifica para salvar os outros).
Vale o duo protagonista, o polícia bom e gangster mau (este brilhantemente conseguido por Eriq Ebouaney). Com boas actuações são eles quem mantém uma boa dinâmica, pelo menos até à estranha escolha narrativa do filme em dar toda a importância a uma outra personagem, muito menos bem conseguida.
“La Horde” vem mostrar que o cinema fantástico francês tem saúde e está em forma, mas que não se pode submeter em demasia às convenções de Hollywood, nem ser tão convencional sob o risco de gerar produtos tão esquecíveis quanto este – especialmente num género já tão explorado como os “zombies”.
A Melhor: Eriq Ebouaney, um “duro” que devia aparecer num filme de Quentin Tarantino.
A Pior: A falta de ambição e originalidade.
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| “La Horde” é um filme de acção com gangsters e zombies que aposta bem mais na luta musculado do que no medo, mas que não arrisca um milímetro na originalidade. ….7/10 |

