
No sábado ao final da tarde, o Grande Auditório recebeu a estreia mundial do filme de terror alemão ‘Virus Undead’.
Havia bastante expectativa em torno deste filme, que conta com uma história zombie-gore inspirada pela gripe das aves e um trailer bem-parecido. Mas foi uma desilusão e das grandes.
Robert, Patrick e Dicker são três amigos (alemães ou não, não sabemos, pois o filme decorre na Alemanha mas todos falam e têm nomes ingleses, “à la filme da Fantastic Factory”) que viajam até uma terra rural do interior da Alemanha, para tratar dos papéis da herança do tio de um deles.
Chegados à vila, eles instalam-se na espectacular mansão do defunto, onde decidem convidar umas raparigas da terra e fazer uma pequena festa. Mas quando chega a noite, eles percebem que o antigo dono não morrera com Alzheimer como a polícia anunciou, mas sim vítima de algo terrível que assombra a região.
Um vírus “zombie” (ou seja, que transforma as pessoas em mortos-vivos) anda a ser espalhado pelos pássaros da região, que estão doentes com uma super-mutação da gripe das aves.
‘Virus Undead’ é o que se pode considerar um filme improvável. Para um projecto desconhecido em estreia mundial cá, conta com um orçamento bastante bom: tem efeitos visuais mais que correctos, uma boa fotografia e conta ainda com alguns planos de efeitos a computador muito bem conseguidos.
Por outro lado, para um filme desconhecido conta com a história menos original e ambiciosa possível. Os adolescentes são meros clichés, com conflitos entre eles profundamente batidos e desinteressantes. Os “pássaros zombies” são uma mera nota de rodapé e quase não aparecem. Temos apenas uns banais zombies humanos, iguais a dezenas de filmes que saem todos os anos. Fosse antes tão original como o nome dos seus realizadores (Wolf Wolff e Ohmuthi), que pouco se preocupam em criar um filme interessante ou sequer, note-se, divertido. É uma estreia na realização verdadeiramente desinspirada.
‘Virus Undead’ é melhor produzido e tem um ar de ser um pouco mais caro do que a média dos filmes de terror de série B europeus. Talvez por isso, usa a técnica da língua da ‘Fantastic Factory’. Passa-se na Alemanha, tem actores alemães, mas todos falam inglês uns com os outros. Isto torna o filme sofrível, e os diálogos sem ritmo.
Se o objectivo com isto tudo era fazer um filme para vender no mercado americano ficam aqui algumas dicas:
– Primeira, tentem ser originais na história, porque filmes de zombies feitos nos EUA é do que há mais. Se forem originais, aí sim vale a pena os americanos importarem os vossos projectos;
– Segunda, depois de terem um filme que os americanos querem importar, não o ponham falado inglês. Mais, tornem-no impossível de dobrar e ponham o máximo de referências europeias possíveis. Assim, a Platinum Dunes (ou outra “major”) não vos comprará o filme por dois tostões para o distribuir. Irá antes oferecer-vos uma fortuna para fazer um “remake americano”.
As dicas são de graça… por agora!
Trailer

