“Samurai Avenger: The Blind Wolf” por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Na primeira Sexta-feira do Fantasporto, com o auditório principal esgotado para ver ‘O Argentino’ de Steve Sodenberg, o público mais tardio, assim como o mais sedento por diversão série B, virou-se para o pequeno auditório. Foi uma sala cheia que recebeu o realizador japonês Kurando Mitsutake, que vinha mostrar pela primeira vez em público, o seu ‘Samurai Avenger: The Blind Wolf’.

Mitsutake (realizador japonês radicado em Los Angeles) apresentou o seu filme como um ‘western sushi’ – um projecto de paixão onde um samurai cego percorria o deserto Mojave em busca de vingança, num filme tipicamente americano, mas que explorava os misticismo da mais popular arte de guerra japoneses – os samurais.

No filme, Blind Wolf (um samurai cego, interpretado pelo próprio realizador) e The Drifter (um motoqueiro vestido de cabedal, à procura de aventuras) unem-se nas redondezas do Vale da Morte (no deserto Mojave) para lutarem contra 7 assassinos-samurai contratados pelo pérfido Nathan Flesher, um barão de crime do deserto.

Nesta sucessão de confrontos, vamos conhecendo as motivações dos heróis (vingança à oriental) e aprendendo a detalhe todos os termos e técnicas dos samurais. Num estilo reminiscente de ‘Kill Bill’ e até “Zatoichi”, este filme de samurais em estética western, utiliza paragens narrativas estilizadas para ensinar o espectador como fazer determinado golpe, ou com pode um sabre cortar outro.

Mitsutake, natural do Japão, mas emigrado nos EUA, tem uma carreira no mínimo curiosa. Foi assistente de realização no remake americano de ‘Shutter’ e trabalhou no remake americano de ‘The Grudge 2’ (ambos originais japoneses). Na sua estreia na realização “maior” (tinha feito há uns anos ‘Monsters Don’t get to Cry’), fez um filme western americano totalmente ajaponesado – o oposto dos trabalhos que tinha feito como assistente!

Algo didáctico e bastante divertido, ‘Samurai Avenger’ é um filme de acção ‘gore’ – com alguns raios de fantástico. A história é pouca e não se mete muito no caminho do que são umas 8 sequências de acção estilizadas e salpicadas de sangue. O grande destaque vai para quando os heróis enfrentam uma samurai-bruxa grávida e os seus zombies-samurais. Este confronto foi dos mais aplaudidos do filme.

É, no entanto, uma pena que o filme viva tanto de personagens estereotipadas e da ausência absoluta de narrativa. ‘Samurai’ é divertido porque é só acção, mas eventualmente o filme perde consistência quando o espectador percebe que não haverão surpresas nem nada para além do jorrar sangue. As referências ao estilo de Quentin Tarantino são muitas (indo ao ponto de um cameo de Amanda Plummer, de ‘Pulp Fiction’), ao ponto do filme parecer excessivamente académico.

Um bom filme de Fantas, para uma noite bem passada no Rivoli, mas nada memorável.

Trailer

6/10

José Pedro Lopes

Últimas