
Na segunda sessão, “Bucharest, Memory Lost”, a ausência é a da memória e a de um país. Albert Solé, motivado pelo esquecimento provocado pelo Alzheimer do pai, procura registar a sua história como exilado político da Espanha franquista. Um filme que ultrapassa os limites das fronteiras, das línguas e da identidade, Albert, por meio de uma série de entrevistas, fotografias e filmes de arquivo, tenta reconstruir um passado ainda não assumido por Espanha e definir-se no processo. Ainda que não seja inovador no estilo e tenha alguns problemas técnicos, a sua exploração da memória e das vivências políticas pelo indivíduo lembra “Waltz Im Bashir” de Ari Folman, que esteve nos cinemas o ano passado.
A última sessão, “Black Business”, conta a história da ausência de pessoas, levadas por uma força militar criada no início do século nos Camarões e do efeito da ausência de consequências e regras sobre uma força assim. É um filme difícil de se ver, quer pelo tema, quer pelas imagens apresentadas, mas uma história que precisa de ser contada. Lembra a razão pela qual os documentários surgiram: para dizer algo, daí necessitarem da estrutura narrativa que faltou aos primeiros filmes.

